Seu coração em minha mãos.

Agora relembro.
Éramos felizes.
Eu fingia, você também.
Me fazia tão bem aquela enorme mentira.
Mas a única verdade era essa.
Nosso amor foi longo, bonito e mentiroso
Eu queria voltar, bagunçar seu cabelo
Te amar no fim do dia, no começo da estrada
Te xingar quando brigávamos
Lhe passar a mão nos olhos, para acreditar
Eram realmente de verdade
Te acolher no colo quando você chorava
Te segurando para não fugir, não me abandonar
Te encher de frases feitas
Quando eu lia algum livro, triste mas realmente bonito
Você me escutava com a cabeça em meus ombros
Você me amava com seu coração em minha mãos.
Mas eu ainda continuava mentido
Mentido para não machucar seu coração.

Passei a gostar do cheiro.

Fui lavar o corpo depois daquele domingo imundo e agitado
Levei meus pecados, minha dores, alguns amores
Vi tudo aquilo descer pelo ralo, me limpando o coração.
Sai dali limpa, renovada, passei a gostar do cheiro
Me vesti, sequei os cabelos, me deitei e acendi um cigarro
Ao som de The Distillers, me conheci, agora eu era a única

Não havia mais sombras de outros nomes
Rostos, cheiros, sobreposições
Me havia, eu começava a gosta de existir
Mesmo ali no meu quarto a onde tudo tinha a minha cara
A onde tudo era eu, meu.
A onde só eu existia.

Gostei tanto de existir que agora me omito
Agora irei voar, me acalmar, irei morrer
Depois de tanta existência, nada melhor do que sumir.

Peguei meus cigarros, pus um Jeans rasgado
Meu ténis velho, mofado
E fui por ai. Existindo !
Rastejando, rasgando, alimentando minha alma.

Agora me sento, relaxo e morro para o mundo
Existir me toma tempo, pecados, crimes, me toma
Agora irei me deitar, sem me lavar
Quero o cheiro dos lugares, das pessoas
Vou acender um cigarro, como se eu nunca tivesse me ausentado.


Permita-me.

Eu sabia o que era felicidade ela tinha gosto de café quente, dia frio,
Tinha cheiro de terra molhada, tinha rosto de vida, cor de água, era pura.
Mas depois dela eu não sabia o que viria, e se eu não gosta-se do depois
E se o depois fosse o fim ?
Permiti-me a felicidade, mas moderando-a para que o fim não chega-se
Me permiti ser triste, para que a felicidade em mim dura-se.





O meu.

Eu não poderia amar o mundo
Ainda não me conhecia, não sabia meus medos
Não havia cometido crimes, sido algo ou alguém
Eu não poderia me amar, por que de tanto eu nada ser eu era o mundo, o meu.


Ariela Venâncio. Tecnologia do Blogger.

Agora, Aqui !

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"Publicar um texto é um jeito educado de dizer “me empresta seu peito porque a dor não está cabendo só no meu.”

(Tati Bernardi)



De encontro.

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