*

Ele me consome, me tira do sério.
Não sei se menti, se desmenti.

Gosto das trocas de cigarros
Dos horários, de algo meio errado

Gosto da mentira, do sarcasmo
Eu gosto dessa confusão
Não dele...

Guerra de Corpos.

Depois da guerra de corpos...


  O dia amanheceu, guardei meus peitos em algum sutiã preto

   Procurei cigarros em calças jogadas pelo chão

 Encontrei um cigarro, meio amassado, meio surrado. O acendi!
 Abri a porta do quarto, na sala tocava alguma música escrota e bonita
 Mas o que acontecia ? eu estava perdida, não me lembrava dos rostos, de outros
 Olhei mais um pouco em volta, a casa era enorme, bonita.
 Sentei-me em um dos poucos lugares quietos, terminei meu cigarro
 Olhei para o resto, o resto eu era. Peguei minhas roupas sai da casa ainda de calcinha e sutiã

Pedi cigarros a um moço que me olhava assustado, peguei dois, e fui andando
 Meu corpo me pesava, a rua estava vazia, suja, fria

Eu tentei voltar para onde eu me encontrei, mas eu era no momento coisa perdida...
Eu queria me encontrar ? Ser algo certo ? O que faria se fosse ?
Acendi o ultimo cigarro com uma leve dor no peito, era algo como alivio.
Deitei na calçada, ainda semi nua mas cheia por dentro, terminei meu cigarro, fechei os olhos... 
Adormeci...
Quando acordei, eu era outra pessoa, agora vestida e vazia.

Cigarros no dedo.

Sou triste, sempre fui.
Ando livre com meus cigarros no dedo
Com meus defeitos em tempo
Meu mal, meus crimes, meus roubos
Meus delírios, minha embriagues
Sou triste, que mal a nisso ?

- Ouvindo: (Móveis Coloniais de Acajú)

.

Só agora percebo a perda...
A perda de meus dentes
Para mastigar ferozmente meu mundo.
Nada, nada tenho a oferecer
Sem planos ou ideias
Sem costumes ou regras
Lhe ofereço apenas liberdade
Cigarros, maldade, um pouco de felicidade
Percebo a perda, a perda em alguma confusão
Em que eu estava bêbada sem rumo nem direção.






Raspando odores da dúvida.

Eu gosto da existência.
Só não sei o que fazer com ela.
Eu não sei se existo! Mas vivo, livre, intensa!
Talvez eu devesse limpar meus dias com sua presença
Raspar os cabelos, me olhar no espelho e pergunta-lá:
- E ai existência ficou legal ? ou devo deixar crescer ?

Não sei para que ela serve. Se serve!
Me desculpem mas tenho dias agitados
no meu quarto e sala, grande e poluído por vida
As paredes fedem a café vomitado e cigarros
Mas quem liga depois de uns goles, depois de um pouco de amor
Penso. Mas nada me sai, me sai nada. Algo deve ser ? Nada!

Eu deveria consultar um existênciador
Iria pergunta-lo se viver é existir, ou se isso é para os mortais... ?
Estou cansada, viver me tira toda a vontade de existir. Entende ?
Agora vou fumar um cigarro e permanecer na dúvida
E se mal for, foda-se.
Desculpem meu mal jeito !

- Ouvindo: ( Móveis Coloniais de Acajú)

Leve, Fina e Macia.

Sonhei com a morte.
Era leve, fina e macia
Ela me colocou no colo
Me cantou canções de ninar
Tirou meus medos, desapego
Me fez rir, me ensinou a amar.

Em uma tela grande e negra
Me mostrou minha vida
Me disse coisas bonitas
Me fez até chorar
Com um sopro no ouvido
Me levou embora, embora

Sonhei com a morte.
Mas ela me deixou voltar.

Para outro alguém.

Eu queria realmente lhe conhecer
Saber seus medos, seus crimes
Se lhe existe alguma dor, Algum aperto no coração.

Queria lhe botar no colo, lhe sentir respirando
Ofegante,quente, pronta para matar ou para ser amada.

Quero saber que cara faz quando sorrir
Se lhe aparecem os dentes quando da gargalhadas.

Queria saber quem é a moça dos cabelos longos
De olhos pequenos, que ainda conheço pelo nome.

Quem é você ?

( Ouvindo: Los Hermanos)

Ariela Venâncio. Tecnologia do Blogger.

Agora, Aqui !

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"Publicar um texto é um jeito educado de dizer “me empresta seu peito porque a dor não está cabendo só no meu.”

(Tati Bernardi)



De encontro.

Os Viciosos do Circulo.

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