Sobe e Desce !


Engolindo a seco a roda do odeio
Que camufla minha pele e me torna míope ao mundo
Cansada, latente, arrogante e pouco vista
Dor de garganta sempre no final da dança
Mastigo meu odeio com rancor latente no coração
Constrangimento, míope, cega, como queira chamar
Tenho pressa que regressa no meu paladar a dor
Que batendo se mistura ao cansaço, visto - falado
Que se torna em mim uma montanha de elevador
Que sobe e desce sempre quando a música acaba
Sempre quando a dança para.

- Ouvindo: Los Hermanos.

Dois de uma Tragédia !

A cada madrugada abafada por cigarros e suor, ardor, suor, amor

Seu cabelo enroscando no meu pescoço, me fazendo cócegas
Era tudo muito engraçado eu apenas sorria, fingia não te amar
Eu apenas respirava a fumaça daquele amor
Que de pouco em pouco me viciou, me sufocou e por pouco não me matou
Sinto lhe dizer mas esse amor é uma droga
Droga pra dormir, droga pra não sentir, droga pra sentir, pra sofrer, droga pra não te esquecer.

Mas recebo um murro na cara de saudades
No movimento particular que havíamos criado
Agora alimentando o vicio eu te percebo
Eu te eu quero, eu te desejo

Agora acho graça de sentir tanto a sua falta
Alimento de vez em quando o vicio com a sua chegada.

Eu te amo...
O inicio de uma tragédia!


- Ouvindo: The Distillers.

Consumo Estabelecido !

Precisa-se de uma garantia de consumo pré estabelecida

Egocentrismo barato para os mal informados.

Agora preciso de uma cara madura para conseguir muito status
Nada me parece barato, nem a sola do meu sapato
Meu primeiro formigueiro em frente ao banco do estado
Parada, decidida, agora vivo sem garantia de trabalho
Bem informada, bem arrumada, de salto alto.

- Ouvindo: The Distillers.

Então é capaz de amar!


Eu poderia contar uma história
Falar sobre ela, sobre seus surtos
Mas não a nada mais latente em meus pensamentos
Do que quando ela me recitava poemas de bukowski
Eu permanecia em êxtase sentada em meio a caixas e espumas ouvindo ela falar.

Mexia os lábios fracos de palavras fortes, enojando-me com tanta beleza
Criticava a forma como eu movia me lentamente para não perder o som
Numa movimentação perdida e constante, mal saia do lugar
Saia apenas para pegar mais cigarros e para interrompe lá com um beijo
Foi quando numa noite bêbada ela me relatou sobre sua ida, sobre nossa despedida.

Eu a amava e ainda sinto essa merda enorme de amor
Amor de esterco que fede meu corpo inteiro
Ela me deixou feliz, ardente como sempre foi
Me relatou como seria seus dias sem mim, me disse adeus com gosto de cigarro na língua
Chorou, enxugou os olhos e voltou a sorrir, voltou a chorar e depois nunca mais a vi.

Sentei me até seu ônibus sumir, todos que ali estavam para se despedir haviam ido embora
A cada passo a cada cigarro eu sentia falta de alguma voz que com o tempo não me é firme
É constante esse vulto de seu rosto em meus sonhos, mas ela se foi

E não sei se o que sinto é falta ou apenas vazio por viver sem ela.

- Ouvindo: The Distillers.

Ana não desapareça

Ana não me deixe, volte !

Não desapareça
Não me esqueça

Não me substitua por mais, por dois, por algum
Não me consuma com a falta
Não desanime, me deixe sem graça

Ana não me castigue
Retorne, regresse
Estique o tempo o traga de volta

Ana, Ana, Ana seu nome me chama
Me ama, me ama, me ama
Me engana

Ana aprenda a gostar daqui
Aprenda a gostar de mim
Não mude, não fuja, não deixe, não enlouqueça

Sobreviva, sobreponha
Meu nome, seu nome, sonhe
Retorne

Na volta me compre cigarros
Me grite, me chame, me ame
Ana não desapareça, não aprenda a desgostar de mim.


- Ouvindo: Bob Dylan.

Embriaga-se


Corra, logo depressa
Finja, minta, esqueça

Final de semana
Me traga cigarros

Não veja, apareça
Enxergue, pinte e borde

Me trate, me ousa
Esqueça a tv

Grite, não mate
Volte, escape

Curta, aproveite
Regresse, me fale

Viaje, ultraje
Beba só mais um pouco

Corra, logo, depressa
Beba, embriaga-se, vomite

Esqueça!
já é segunda-feira.

- Ouvindo: The Distillers.

Sendo meu Próprio Hospede!


Não cutuco as palavras com essa mera simplicidade que me julga ter
As respostas bem organizadas sempre me vem na mesma postura arrogante de você
Em trilhos suicidas me deparo gritando o seu nome. - Volte, volte ou me deixe logo, rápido!
Atacando o mero passar da idéia suicida de você me jogar apenas por prazer
Esqueça, a dor é mera coincidência, nessa nuvem seca de cigarros...

Arrasto os moveis, mudando a sintonia velha da sala
Gostando e amaldiçoado os meus pesares, medos e afins
É contagioso a sua forma de me fazer pensar sempre
1,2,3,4 paro não quero seguir seus mandamentos
Deixando apenas no lugar minha livraria emparceirada
Que me consome com as mesma palavras, que eu releio ao me auto dizer tudo velho, novo
Tomo banho, tiro a grotesca idéia de me mudar daqui que some pelo ralo
Mas a pele anda enrugada de tanta sujeira na alma, de tanta cobrança sua sobre mim

De volta me encontro nos trilhos aguardando a dor voltar distraída com cigarros entre os dedos
Parceria antiga, comprada sempre na venda da esquina
Talvez eu não goste dessa esquina, dessa cidade, dessa contagiante rotina
Talvez, talvez, talvez eu apenas sinta saudades do frio
Mas você me vem de volta desprezando as minha opiniões
Restringindo o meu mundo. Mas vizinho você é intimo, de certo seja eu!

Então eu e você estamos interligados, presos
Porem eu preciso tirar a poeira do tapete, tirar as vidas de baixo dele
Sufoca-las de uma vez ou adentrar dentro delas. Sufocar-me, adentrar-me !
O que posso fazer é segui-lá, segui-lá consciência
Mas agora irei ficar nos trilhos brincando de ser meu próprio hospede...

Hospede na minha consciência!

- Ouvindo: The Distillers-Open sky.

Desafina!

Falta menina me deixe, me esqueça a onde estiver

Escorre do grito do choro seu olhar medroso de jeito mulher
Parece que em mim desafina esquece a patina e não sabe o que quer
Falta menina desgosto não sou perigoso nem sei machucar
Meu coração é de osso, de ferro sem gosto só sabe chorar
Se me deixar sentirei grandes saudades daquele luar
Mas de certo sem te eu não vivo, mas sinto remorso de me acompanhar
Falta não corra, me espere ainda não posso voltar
Voltar seria um castigo sem hora precisa nem outro lugar
Aquele remorso do gosto, me falta cigarros pra me acalmar
Não sei se o mal da minha dor é de te nada esperar
Falta não corra, esqueça tudo que não vai voltar.

Túnica de Inverno!

Me parecia uma vespa em cima em baixo pra dentro pra fora

Monopolizando os meus pesares sugando a minha pouca existência
Que latina se remexia numa dança sozinha, pobre alegria
Era só o começo, repense, repare, resolve, repasse, remexe a alegria cega num copo de vidro
Que era velha entre velhos esquecidos, que se tornava cega na miopia do esquecido
Lambuzando as palavras com um vinho barato engolindo de graça a falta de espaço
Era regresso a existência do não existir de salto alto e vestido rasgado
Para se tornar alguém aos que ali respiravam. Reorganizados na falta de espaço.

Hospede a solta, no quarto, no carro, na vida, na sala, no sofá, no passado
Que saudades do passado ! Que o frio vem de culpado
Envolvido numa túnica de plástico fraco, esperando que ninguém a sufoca-se
Derretendo-se rapidamente sem perceber sem reclamar, sem reclamar sem perceber
Vendo que o inquieto que lhe cobria fora do plástico era a arrogância do vidro
Que nunca admitia precisar de espaço. Que sempre reduzia a saudade em fracasso
Que desmerecia o amor em dor em lágrimas e que sempre acabava em um copo de ressaca
Curando talvez de inquieta a saudade, que me retornava sempre quando o inverno chegava.

- Ouvindo: Pata de Elefante.

Ariela Venâncio. Tecnologia do Blogger.

Agora, Aqui !

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"Publicar um texto é um jeito educado de dizer “me empresta seu peito porque a dor não está cabendo só no meu.”

(Tati Bernardi)



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