Traga um pouco de amor, um pouco de cigarros.

Esteja aqui quando eu acordar, esteja quando eu não me importar, esteja aqui quando eu te chamar, esteja aqui meu bem a vida inteira.


Entre em minha casa sem aviso prévio, entre em minha vida sem feridas ou dores, entre, fique a vontade, fique mais um pouco, para nunca mais querer partir.

Traga-me café na cama, traga cigarros, um pouco de amor, um pouco de beijo, um pouco de você, mas só um pouco, para que o tudo de você seja meu a vida inteira.

Venha com pressa, sem jeito, sem regras, mas venha. Diga que me ama, diga sempre, até eu não me cansar de ouvir.

Esconda seus defeitos ao nascer do sol, e os mostre sempre quando a lua voltar, se cubra de baixo do meu lençol, se cubra por debaixo de mim, me cubra, me aqueça, se esqueça do mundo lá fora, se esqueça da hora, se atrase só para não se esquecer de mim.

Meu bem querer!

Ela me diz que a solidão é como ácido sulfúrico que misturado a água explode dentro do peito, sai derretendo todos os seus sonhos. Diz-me até que os números não se somam mais, nem que as letras formam palavras. Eu não sabia o que era a solidão porque aprendi a viver comigo, assim apenas comigo. Ela me olhava nos olhos me contando todas as suas dores, me chorava falando que queria ver seu pai, que sentia falta dele, mas querida ele esta tão longe agora, talvez ele nunca vá voltar. Abraçava-me com tanta força, fazendo juras de todos os amores possíveis do mundo, fazendo eu realmente acreditar que aquelas mentiras eram verdades, me acolhia em lágrimas, eu a olhava querendo que ela parasse com toda aquela fraqueza, que ela me mostrasse força, mas não ela era tão frágil que se encolhia na cama nua, me pedindo para nunca lhe abandonar, e eu precisava mais dela do que de mim mesma. Ela chorava como se carregasse todo o pecado do mundo, e em mim pesava aquela dor, aquela mentira dita com tanta verdade, eu nunca soube amar, pra mim era mas fácil fugir, fugir era algo bom para minha liberdade. Mas com o tempo, eu a amei, a odiei, eu nunca iria lhe abandonar, eu precisava mais dela do que de mim mesma.



{Ouvindo: Roberta Campos}

Nunca fui boa em nada.


Nunca fui boa em guardar coisas, objetos, sentimentos, eu era boa mesmo em ter as mãos livres, o coração vazio, era isso que me confortava saber que nada me derrubaria.

Carregava em minhas mãos apenas meus cigarros, andava como se nada existisse além de mim e meu mundo, eu era confusa apenas com a hora de regressar pra casa, nada me tomava tempo a não ser alguns livros e a escrita, tudo era corrido e belo, tudo estava encaixado e empacotado, nada era capaz de me tirar da rota que eu mesma havia me colocado a não ser você.

Você com todo esse amor, com todo esse brilho, com tanta saudade, tanta abandono, você me falando baixinho tudo o que eu mais detestava ouvir, ouvir alguém dizer que precisava de mim, que dependia de mim pra viver, que me amava, eu me desmontava toda esperando a hora certa para me montar e fugir.

Todas essas fugas em vão, todas forjadas, cobria-me apenas esperando o momento da sua chegada, mas nunca fui boa em guardar coisas, nunca fui boa em nada. Todo esse amor não me fazia bem, ele me machucava, apenas por querer devolver algo, mas eu nada tinha para dar em troca, eu nunca tive nada em minhas mãos, tinha apenas meus cigarros e de uma forma horrível seu coração, frágil, batendo cada fez mais, querendo viver cada vez mais. Eu covarde e fria como sempre fui querendo ficar cada vez menos, tentando fugir cada fez mais.

Era desconfortável saber que você me amava, logo eu que nunca pedi nada em troca, logo eu que sempre gostei de viver sozinho, o que houve? O que fiz de bom para merecer seu amor assim, todinho pra mim?

Eu nada tinha e você recebendo tão pouco, mas tão feliz, eu com tanto. Eu nunca fui merecedora de nada, bastava-me apenas o calor do sol e a luz da noite, seu amor era de mais pra mim, como tudo que belo é, decide como uma covarde que sou fugir levando nas mãos, agora cheias, seu coração.  Era isso que me confortava saber que algo de bom realmente era meu.

{Ouvindo: Radiohead}

Cadê meus lenções?


Agora é o fim, chegamos na hora de partir, cadê meus lenções? Não te deixaria nada, nem mesmo minha magoa, agora é o fim e depois dessa linha terei que recomeçar tudo de novo.

Estou te deixando, mas não quero que volte, nem que fique, quero que vá, siga seu caminho, encontre tudo o que em mim estava perdido, encontre amor, e me esqueça.

O que devo fazer? Não sei mais para onde ir, não sei mais como fugir, me perco e isso não é melhor como um dia foi. Preciso me encontrar para de fez te perder.

Esse abandono me pesa, me pesa cada hora boa que tive me pesa sua ida como também me pesa sua permanência, sinto-me confusa como quem esta a beira de se jogar esperando apenas alguém que venha e que me puxe, agarrando-me pelo braço e me estendendo a vida.

{Ouvindo: Radiohead}

Eu lhe dei.


De todo o amor que eu podia ter eu lhe dei, lhe dei todas as noites, todo o sol do meu dia, lhe dei tudo até eu secar, até eu partir e você por alguma razão pendente não ter ido me buscar.

Passaram-se anos, transformados em décadas se passaram vidas e depois de tanto tempo você volta acreditando restar em mim algum amor, restando em mim alguma volta, alguma chance.

Eu tentei recuperar todo aquele sentimento que tive, tentei trazer meu coração de volta, mas foram tentativas em vão, nada voltara a ser como foi tempos atrás e isso não há como mudar.

Já passou nossa história, mesmo eu querendo que tudo volte, mesmo eu querendo sentir todos aqueles passos esse circulo me empurrou direto para o buraco e dês de então nada mais vejo, nada mais sinto.

De tantas as outras coisas, de tantos os outros sentimentos que eu deveria sentir eu só sinto o gosto do abandono, o gosto infeliz de ter deixado partir a única pessoa que me fez sentir alguém de verdade, lhe deixei ir da mesma forma que fui há anos atrás, só que dessa fez sem magoas, ou rancores, lhe deixei partir sentindo seu beijo acreditando que você estará sempre do meu lado a onde quer que eu vá, te levarei.

{Ouvindo: Radiohead}

Bem me quer mal me quer.


Sinto todos os dias essa maldade fluir dentro de mim, sinto a cada passo minhas veias se romperem forte em alguma camada do meu coração, me sinto impura, má como alguém que já matou e ainda matara.

Sinto que todos que estão ao meu redor são tão fracos e obedientes, todos tão tolos, tão submissos a minha loucura, a minha verdade, todos prontos e preparados para meu próximo passo, esperando apenas meu sinal para cometermos algum crime.
  
Sinto que estou infectando cada um que se aproxima de mim, cada um que me estende a mão, estou contaminando a todos estou manipulando vodus de carne e osso, sem preocupação com a permanência de suas almas ao meu controle, eu os deixo ir, os deixo partir. Todos eles carregando a minha loucura em cada ponto do sorriso.

Me procuram sempre carregados pelo álcool, pela música ruim, pelo barulho, ninguém vê minha real intenção, minha maldade, ninguém acredita que nesses olhos castanhos claros aja tanta impureza, aja tanta mentira, acreditam apenas na minha falsa beleza, na minha alegria perfeita.

Me mencionam sempre ao ponto da frieza, me dizem sobre todos os seus sonhos, me falam de seus medos, eu apenas os olho fazendo os acreditar que me importo, mas não meu bem eu não me importo nem com o fim da festa nem com o começo da dança, sinto muito mas esse foi o único meio de me proteger.



{ Ouvindo a versão do L.P da música Rolling in the deep} 

Lhe roubaram de mim.

Hoje acordei num dia nublado, o sol mal brilhava, não havia pássaros nem beleza, tudo parecia estar morto, crescia em mim um vazio que nem mais os cigarros ocupavam, e a dor dessa vez era diferente, a dor era tão sincera que aliviava o peito enquanto o resto do corpo doía, doía tanto ao ponto de as lágrimas não caírem e meu corpo todo se contorcia, era triste.

Acordei olhei ao redor e descobri o motivo de toda essa dor, você havia partido como um desconhecido e nunca mais iria voltar, porque quem havia me tirado você era a vida que havia se acabado dentro de você.


{Ouvindo: Ben Harper}

Escape.


Querida Ana gostaria que você estivesse aqui. Tudo aqui anda pesado, doloroso, distante. Eu ando tentando manter os pés um pouco no chão, largar essa mania de achar que só serei feliz utilizando algum tipo de asa.
Algum tipo de escape, que me escapa sempre quando chego perto da linha da loucura.


Tentei segurar a realidade um pouco aqui dentro, tentei deixa-la fluir, mas sem querer a sufoquei. Se você soubesse o quanto é difícil para pessoas como eu, viver como se todos os dias fossem sábado à noite, essa rotina desorganiza minhas manias de organização.


Eu tenho que me impor limites, aqueles do qual só começam no fim da linha. Precisava um pouco de algum contra remédio, aquele contra o tédio.


Minha querida não existe solução.

{Ouvindo: Radiohead}

Ultimo Cigarro.

Todos os dias, recebo, recolho meu cacos como cartas de um desconhecido que me fala sobre amor, sento-me acendendo o que pra mim será o ultimo cigarro, como todos os outros últimos, na tentativa de estragar o pulmão para que o coração possa respirar, recolho suas cartas e as deixo perder letras, sem abri-las, sem nem ao menos ler. Agora nem mas fingir resolve, o que doí se vê até sem óculos.

Meus dias, enrolados por lençóis de tom duvidoso, aquele tom de amor que ainda não existe, enrolando minhas lágrimas, enroladas em todo esse amor que abastece cada câncer que tenho pelo corpo. Não vejo mais nada, estou cega e a muito tempo não sei qual é realmente a cor do céu, ele não é só azul.

Tento todos os dias me apossar de sua escrita, tentando assim ter você, mas todo aquele monte me acrescenta câncer, leio todas sem nem ao menos abri-las, e quando as leio estão todas em branco, nem mas a sorte nós ajudara, ou Satã nós alegra.

Agora nem mais fingir resolve, o que doí se vê sem óculos.

{ Ouvindo: - Lorena Chaves}

Cômodos Vazios.


Desculpe, eu não lhe expliquei direito os meus motivos. Não lhe estende todos os meus erros, nem lhe entreguei minhas lembranças. Eu devia ter dito que aquela cama era pequena, que havia sobrado poucos cigarros, que o álcool não nos embriagaria a ponto de dizermos alguma verdade, que respirávamos mentira, que possuíamos apenas mentira.

Todas aquelas caixas na sala, todos aqueles cômodos vazios, todas aquelas cortinas branca, ocupando todo aquele espaço, ocupando como desculpa a minha falta de compromisso, eu sou apenas mais um meu caro, sou apenas mais um que acha como refugio a solidão, que refugia a minha dor que ultrapassa o coração.

A varanda ainda é pouca para tantas desculpas, para tanta inalação de fumaça, para todas essas cobranças, não tenho mais a onde guardar tantas cobranças, tanta ganância, não tem mais como guardar tanta ignorância, minha cozinha esta repleta de confidências e evidências de que todos os meus motivos são tão fracos a ponto de machucar a pele e não sangrar.

Tenho tanta força que me sinto fraca sempre quando vou justificar minhas decisões, não me permita a justificativa, não me deixe presa a meras palavras, a tanta rasura de metas e posições pré-estabelecidas.


Eu devia parar de dar tantas voltas e lhe dizer logo todos os meus motivos, todas as minhas dúvidas, minhas defesas, meus crimes, encaixotar tudo e lhe enviar como presente minha vida, esperando que assim você possa entender. Entender o que não a como se explicar, eu devia, eu sei que eu devia lhe explicar meus motivos, mas meu caro não a nenhuma alternativa para se entender o que não se senti, quero dizer quando se senti não precisa de explicações, meu caro sentir ultrapassa qualquer linha de entendimento.




{Ouvindo: - Avenged Sevenfold - Seize The Day}

De qual ângulo você me via?

Você me olhava, me observava de longe, isso chegava a me incomodar.
Eu não conseguia saber de qual ângulo você me via, se a sua vista era embaçada ou míope.
Eu precisava que você conhece-se meu verdadeiro eu, mas creio que isso era quase impossível, pelo fato de tantas historias, tantos desencontros, pelo fato de tanto encanto que tive.

Você não me desvendou, não descobriu o que me habita, me olhou de um ângulo errado, de uma forma completa e falsa, talvez eu fui falsa, lhe mostrei apenas o que pude, lhe mostrei o que não sou, por medo de você rejeitar todas as minhas formas, de não aceitar todos esse erros. Fui tudo com você, menos eu.

Não aceito essa forma de descoberta, não aceito o fato de você partir e aceitar tudo o que eu lhe ofereci, eu tenho tanto, tenho cortinas, tenho moveis, tenho rancores, dores, tenho amor, tenho tanto amor, que chega a precisar de outro nome, nome que ainda não compreendo, fui aquilo que achei ser bom para você.

O ângulo foi errado, você me olhou de relance, atrás do vidro, quase o quebrando mas sem danos pendentes, eu quero dividas, quero que esse amor seja uma conquista, que ele se transforme em outras vidas, que ele se torne toda a minha verdade, que ele se torne tudo o que você ainda não descobriu.

Fechei as cortinas, fui me deitar, sendo o que fui toda aquela longa noite, sendo o que era bom para você, sendo tudo menos eu.


{- Ouvindo: Nirvana}

Psicopatia equilibrando-se.


Psicopatia equilibrada, daquelas que se compra na banca da esquina com cigarros e algum livrinho de alto ajuda.
Alto ajuda para a baixa alta estima, para o baixo edifício que é alto para se subir, para o alto amor que é baixo para se sentir.
Alto ajuda desnecessária já que sua razão não permite duvidas ou contradição.
Pega seu livrinho e segue em direção ao banco, com seus cigarros e sua sinceridade entre o peito e o pulmão.
Mas quem disse que amar-se em primeiro lugar era psicopatia?
Que barbaridade, eu gosto de você, mas devo lhe dizer que gosto muito mais de mim, isso meu querido é egoísmo, não tem nada haver com loucura ou desejo por sangue. 
Meu desejo é de vinho e algo como o jazz.
Vá sente-se naquele banco de frente aquele homem de óculos com camiseta amassada, calças apertadas de mais, tênis confortáveis de menos, com um ar de compreensível, mas parece precisar mais ajuda do que você, e sempre quando abre a boca para encorajar parece que lhe doí a mentira que ira contar.

Compreender que todos que estão ao seu redor só estão ali por interesse, que estamos presos a isso, a depender de nós mesmos, e quando lhe digo nós, digo do nosso interesse, seja ele insano ou não.
Mudar o foco às vezes ajuda a não ir direto ao assunto.
O homem petulantemente infeliz lhe diz que tem muitas coisas boas na vida, mas mal soube dizer o que era. Ele estava mais míope do que qualquer um que ousasse entrar naquela sala, carregada por palavras de conforto em um tom de dor.
Saia de tudo isso acenda mais um cigarro, jogue o livro de baixa alto ajuda fora, mas não na lixeira o deixa no banco como se ele ainda estivesse um dono, traga seu cigarro.
Levemente se deita na grama quase seca.
Pois bem, psicopatia você meu querido deve confundir com liberdade em excesso, liberdade em excesso você deve confundir com sinceridade exagerada que nunca se confundi com nada.

- Ouvindo: ( Nirvana)

Prosa.

Garota apenas irão tentar te entender, não quero sentimentos envolvidos nessa nossa prosa.

Não quero maçãs vermelhas em cima da minha mesa, nem cigarros deixados como presente.
Preste bem atenção! A sua presença é tão pouco importante como a sua falta.

Inconstante.

Devemos permanecer um pouco, levarmos conosco nossas bagagens.

Levar comigo minha arrogância, meus cigarros, minha falta de controle.
Devo admitir essa dor, essa inconstante falta, que inconstante só tem o nome.
Agarro-me a qualquer resto de dúvida, a qualquer coisa que não me deixe voltar atrás.
Parece-me mais fácil prosseguir do que admitir a derrota. 
Eu não estou completamente derrotada, estou apenas fora de campo.

- Ouvindo: (Nirvana)

O indispensável.


Sacode bem a sacola, olhe bem no fundo, ainda poderá restar amor.
Tire os utensílios pouco importantes, como coisas desinteressantes.
Guarde apenas o indispensável, não tudo, para sobrar espaço.
Olhe! veja se não esqueceu nada.
Guarde agora um amor, tente, pelo menos uma vez.
O coloque na parte a onde tenha ziper, para não perdê-lo como tantos outros.
Não mecha muito, deixe o habitar, ficar mais um pouco.
Nada de colocar os cigarros ou as balinhas de iogurte do lado.
Concentre-se apenas em levar consigo algo preciso.


- Ouvindo: (Radiohead)

Deixe-me.

Olhe garota, não se importe tanto, nem cuide de mim.
Deixe-me desfalecer sozinha, não segure minha mão.
Nem corra quando me ver partir, garota se afaste.
O melhor é o fim, não se aproxime, diga apenas um leve oi.
Depois vá para longe, aperte bem os cintos e tente não olhar pra trás.
Olhe garota não valera a pena, não será importante.
Tão pouco te fará pensar em saudades, essa falta de instantes.
Desculpe garota, mas ninguém gosta de se prender.
Não é diferente comigo e com você.
Observe o quanto tenho mudado, o quanto temos fugido.
Algo esta errado, algo parece falso de mais.
Pare garota, pare de achar que me entendi, para de pensar que sou dependente.
Não me confunda com qualquer apaixonado, isso não parece ser algo simples e fácil.
Olhe garota é bom estar ao seu lado, e bom te ver sorrir.
Mas tudo isso me parece pouco, pouco a ponto de quase não existir.
Não acredite tanto no que digo, posso te mandar ir embora querendo que fique.
Posso te pedir pra ficar querendo te ver partindo.
Mesmo sem querer você acabara partindo e eu sinto lhe dizer que isso não me fará mal.
Não a ponto de pedir que fique.


- Ouvindo: (The Distillers)

Rascunho salvo.

Eu só conheço o não me conhecer
Por que é engraçado como a verdade pode nos esconder
Automaticamente eu sei que a mentira é a melhor saída
Aqui, agora, depois, pra sempre.



- Ouvindo: (Cazuza.)

Mais um Cretino.

Autonomia filha de uma puta organizada.

Rapaz de óculos escuros, cabelo curto, tatuado, bem informal.
Se acha no direito de me jogar na cara sobre a minha opção sexual.
Esta tudo errado meu camarada, seus óculos escuros não vão te esconder
Você vai ter que se mostrar e começar a viver.
Aprendendo que Papai Noel não existe e que Carlos Drummond ainda vive
Caro rapaz sua panca de garoto doido não me convence, tão pouco me intimida.
Mais um idiota machista!
Pra estufar o peito, sacana se acha o tal.

O que adianta meu caro, vim tentar me convencer, gritando, tremendo quase se borrando
De que a culpa é minha por querer me resolver, eu sou gay não você.
Até na merda do ponto de ónibus eu tenho que aguentar um machista com engano querendo me amedrontador.
Caro rapaz isso não vai adiantar
Mas você veio de graça pro meu dia alegrar
Vestido de palhaço em carro particular, engraçado metido a racionais
Eu apenas achei graça do ridículo que você faz
Do que adianta ter panca de alternativo se no final você é só mais um cretino.


- Ouvindo: cassia eller.

(Devo ter escrito isso em 2010)

24.


Desculpe se perdi os bons modos e não posso arrotar
Se minha calça é rasgada e não tenho motorista particular
Se não sei fazer café ou até mesmo dirigir.
Sou de poucos costumes um deles é ser feliz.

23.

Não se trata o amor como um papel molhado, que fica duro a medida que seca.

Tende-se cuidar para que as bordas não rasguem, sangrem.
É macio, de duas fases e se pode escrever uma vida sem que se arranhem.

Rascunho salvo em uma quinta a noite.

Você pode ficar, sentar um pouco, bagunçar meu cabelo.
Pode me fazer rir, me fazer chorar, me trazer paz, raiva.
Pode se deitar, invadir a minha casa, invadir a minha vida.
Pode levar tudo o que é meu, menos o meu coração.

Eu não lhe culpo.

Você me carregou durante toda a minha vida, mas depois quando se sentiu cansado me jogou no chão, sem medo de me machucar, e a queda foi dura, eu tive que aprender a me virar sozinha. Aprender a encontrar um rumo e uma direção. Fiz todas as minhas rotinas ligadas ao o que você acharia disso. Mas você como sempre se da ao direito de mal me responder, de mal dizer bom dia. Parece até que isso é premeditado.

Eu calculo, resolvo todos os problemas, mas você continua longe, continua agindo como se nada da minha vida lhe interessasse, talvez não importe, mas é sua obrigação me fazer feliz. Devíamos ter parado de inventar historias bonitas, de querer viver como pessoas adequadas e normais. Eu me lembro de quando você ia ao meu quarto pra ver se eu estava dormindo, mesmo se eu não estivesse eu fingia estar, não porque eu queria que você fosse logo embora, mas porque você vinha e cuidava do meu sono.

Eu não gostava daquelas viagens, mas sinto falta de ver você sorrir, de ver você correr e me abraçar, me tratando como uma criança, como a sua criança, desculpe mas é isso que eu deva ser. Você fugiu de todas as suas obrigações, fugiu da responsabilidade de me proteger, você fugiu desse convívio. E eu estou perdida.

Eu estou aqui, do mesmo lado, mas as opiniões são tão diferentes, são tão fortes, que você continuara longe, mesmo estando aqui desse lado também. Eu me lembro de quando você se importava com as minhas decisões, me lembro da sua insistência, me colocando em uma escola de música, me levava todos os dias, era tudo muito confuso, eu gostava daquilo tudo porque você se alegrava em me ver gostar. Me esperava todos os dias no carro, feliz, me perguntando como havia sido, o que eu havia aprendido. Você brilhava, sorria e me levava pra casa.

Eu não sinto falta das suas insistências, nem das mentiras que eu sempre aceitava, sinto falta de você. Talvez a vida esteja pesada de mais, os dias terriveis de mais, para você se importar comigo. E enquanto isso, os dias vão passando, as mentiras aumentam, as desculpas se tornam mais precisas. Eu sempre senti obrigação nesse nosso convívio, nessas nossas poucas horas em harmonia. Esses domingos agitados, no qual você só esta satisfeito até beber o ultimo copo, não lhe culpo por jogar todas as suas dores contra a garganta, na verdade eu não lhe culpo por nada. Não existe culpado nessa carga, apenas vitimas.


- Ovindo: (Radiohead)

Coloquei doce em cada magoa.

Eu acreditei ser forte esse vento que me bateu a alma.
Aliviava-me sempre quando eu via você chegar.
De longe eu sabia que a noite estaria enfim iluminada.
Eu inventei esse amor, coloquei doce em cada magoa.
Eu menti para mim mesma achando assim encontrar a felicidade.
Construí toda a nossa história em cima de suposições
Que foram se perdendo com o passar da vida, com o passar das verdades.
Eu nunca menti para você, eu mentia para mim mesma.
Por isso não havia lágrimas, nem despedidas.
No dia que você partiu eu chorei, chorei até secar.
Mas a dor não sumia ela estava lá presente.
Ela estava lá transformando tudo que eu criei em castigo
Mas eu não sei com o que ela tenta me castigar
Se minha maior fraqueza foi embora sem previsão de voltar.

Gosta do fim.

Você deveria apenas se afastar, sem explicações, ou conversas.

Mas não você se vê no direito de dar algum ponto de consideração.
E quando vê tudo esta escorrendo por suas mãos.
Mas isso não lhe parece ruim, porque gosta do que vê.
Gosta do fim.


- Ouvindo: (Nirvana)

Ultrapassava as luzes

Alguém já sentiu que encontrou alguém que imaginava não existir ?
E de propósito deixou escapar uma pontada imensa de paixão
Que chegava a ultrapassava as luzes, o brilho das estrelas, até mesmo todo aquele caos.
Você tentava fugir, fumar mais alguns cigarros, beber um pouco mais.
Mas ela continuava a mesma, a mesma do começo da noite, a mesma no fim da noite.
Só podia estar sendo sincera, eu estava.
Mas encontrar pessoas sinceras é tão complicado.
Eu acho que encontrei, mas não sei o que fazer.
Dessa vez não tenho controle de nada, nem de mim.
Sim! isso é bom.

- Ouvindo: (Pearl Jam)

Não quero reciclar pessoas.

Você sabe eu gosto das pessoas, eu sinto, sinto tanto que às vezes chega a sufocar, mas eu preciso estar sempre mostrando que tenho algo batendo aqui dentro? Preciso sempre mentir para agradar alguém? Eu preciso da verdade, preciso tanto dela, que ando surtando, ando achando normal perder pessoas que me devolvem embalagens descartáveis como pedido de desculpa, na arrograncia da mentira, eu não quero reciclar pessoas, eu não quero corações de vidro, pessoas descartáveis, não consigo penetrar nesse convívio banal que as pessoas chamam de amizade, eu quero algo mais sincero, consegue entender? Quero fugir daqui, largar esse trabalho, subir no ônibus e não sentir a falta de ninguém, eu quero isso, se você soubesse como ando pesando nisso, minha vida esta evaporando pelos tubos de ventilação, meu limite é a próxima esquina, depois de lá não serei mais a mesma, isso me afeta, no momento tudo me afeta até um café frio.


- Ouvindo: (Pearl Jam)

As vezes eu sinto que a desistência corta-me os pulsos.

Render-se, entregar-se, deixar-se. Enfraquecer sem uma tentativa. Enfraquecer por pouca tentativa.
Renunciar; Abster-se; Abandonar; Deixar; não continuar seja com amores, paixões, consigo mesmo, com o mundo, sonhos, desejos, presenças, vícios, medos.
Parar, esquecer, evitar.

Não insistir, chegar ao fim. Desistir.

Isso não te parece algo triste ? Deseja Desistir ?

Post para Cantos e Encantos.


- Ouvindo: (Pearl Jam)

Seis.

Quando você não tem amor tudo parece mais difícil.
Até a dor não se tem com quem dividir.
Até seus cigarros sobram e falta sempre alguém para conversar no domingo.

Todos estavam ali, andando por sua vida.

Eram tantas perdas, mas todos estavam ali, andando por sua vida.

Ela chorou, e suas lágrimas saiam rasgando como se quisessem parar por ali.
Mas seu corpo rejeitava qualquer tipo de volta, ele estava pronto para descarregar toda aquela dor.
Ela não tinha alternativa devia esvaziar todo aquele remorso.
Voltou para o seu quarto, acendeu mais um cigarro.
Permaneceu em silêncio, apenas sentido o quente das lágrimas que não paravam de rolar.
Ela se sentia uma estúpida, mas ela era uma estúpida.
Não tinha mais a habilidade de permanecer tanto tempo lúcida.
Precisava de um pouco de descanso, precisava fugir um pouco de si.

Quero mais chuva

A vida me derruba, sempre.
Me joga no chão e todos passam por cima de mim.
E ninguém se arrepende, ninguém me oferece um abrigo, uma mão.
Nem desculpas, ou pedidos de reconciliação.
Todos seguem sua vida. E eu devo fazer o mesmo.
Devo pegar minha mochila azul e seguir rumo ao encontro de mim mesma.
Não mereço ser sempre a que se machuca.
Não mereço ser a única que sente, toda essa dor.
Eu mereço mais chuva, mas presença, mais café, mais você.
Mas você não me merece.


- Ouvindo: (Matanza)

Sem formulas.


Queria muito aprender sobre o amor.
Queria ser capaz de senti-lo, sem formulas ou decisões.
A vida esta passando, e no momento só tenho um pulmão meio estragado.
O resto é leve e vazio. Eu queria estar cheia.
Mas não encontro nenhum poço para engolir alguma fonte.
Não encontro nenhum meio de reviver meu coração.


- Ouvindo: (Incubus)

Quero curvas, soltas!

Eu preciso sair dessa linha reta que chamo de vida.
Quero curvas, soltas, leves e alguns buracos para serem preenchidos
Não consigo mais me ver nessa rota, eu preciso descer e construir um novo caminho.
Agora eu quero agitar as pernas, viajar, nem que seja aqui mesmo pela calçada.
Eu tento me percorrer, me alcançar um pouco, mas estou apenas me afastando.
Estou parada em plena partida, enquanto todos estão indo, eu permaneço.
É incomodo como tudo que me pertence acaba nunca sendo meu.
Como minha própria vida, parece estar no domínio dos outros.
Quando meu caminho sempre leva a alguém.
Não consigo mais me ver nessa rota
De ter tantas caminhos a percorrer, de ter tantas chances de me perder.
Mas de não ter a habilidade.

- Ouvindo: (Pearl Jam)

Preciso aprender a sofrer, para não te deixar partir.


Quero uma outra posição para essa dor.
Mesmo que me tire para fora alguma parte do corpo
Mesmo que eu perca as mãos para isso.
Quero me inventar, de uma forma da qual ninguém me conheça.
Ninguém me encontre.
Eu quero apenas despistar essa forma de dor.
Essa forma egoísta, tão solida e vazia.
Quero sofrer por alguém, quero mesmo chorar de amor.
Quero sentir de verdade um não, uma falta, alguma desilusão.
Eu quero aprender a sofrer de outra forma, uma forma que me curve.
Que me jogue no chão, que manipule  meus pés.
Me levando sempre a uma única direção: Você.
Talvez ninguém saiba como doí sofrer e estar habituada a esse sofrer.
Como me arranca os olhos secos sem lágrimas.
Eu preciso aprender a sofrer, tenho que sentir cada não.
Tenho que perder as pernas, as mãos, tenho que machucar um pouco o meu coração.
Para sempre quando alguém partir eu pare de achar normal deixa-lo ir.
Preciso sentir todas essas ausências, para aprender que dependo das pessoas.
Para não deixar ninguém ir com odeio de mim.


- Ouvindo: (Nirvana)

Uma vida em cima de outras três

Não nasci para sofrer calada, eu preciso de alguém que escute todo esse pranto.
Que me coloque no colo, que me diga estar tudo bem, mesmo que seja o fim.
Eu quero alguém que saiba voar, que me leve junto para cair no mar.
Uma pessoa realmente livre, que não se importe com marcações, horarios, confuções.
Que viva segunda-feira com gosto de carnaval.
Eu quero alguém que saiba ouvir, e tenha algo novo a me dizer.
Tenho tantos pés para caminhar, tantas vozes para escutar.
Tenho uma vida em cima de outras três.
Não nasci para sofrer sozinha eu preciso dividi-lá
E aliviar o peso do coração.
Preciso de um outro para conhecer algo sem restrição.
Preciso de alguém que se jogue sem tornozeleiras ou proteção.

- Ouvindo: (Radiohead)

Cinco!

Ele era o moço mais lindo daquele lugar.
Tinha o sorriso mais lindo daquele lugar.
Gostava das coisas mais lindas daquele lugar.
Tinha os grandes olhos mais lindo daquele lugar.
Sabia mentir sorrindo sem me magoar.
Ele era o moço mais lindo, mas o moço agora quer me ver chorar.

---

(Peanuts)
Apaixone-te antes que seja tarde.

*

''Quero te compreender e te carregar no colo, mesmo não sendo preciso.''

Não a culpado.

Sempre quando vejo que algo bonito vai me acontecer
Tropeço, dai pra frente tudo vira caos. Eu gosto do caos.
Eu me cego, me torno de novo uma estúpida.
Mesmo não querendo fazer parte dessa confusão, mas se de certo eu sou a confusão.
E quando percebo estou só, de novo, de novo, de novo.
Nunca me importei em perder, perder sempre é fácil.
É mais cómodo, mais leve. Ganhar torna tudo muito dificil.
Eu sei, estou atolada, mas devo confessar que nada me é pior.
Eu me vejo, olho ao redor e estou eu só com meus cigarros.
Mas não culpo ninguém, as pessoas não entendem.
Elas ainda não percebem que sou assim, por sentir de mais.
Por sentir da primeira gota a ultima. Por sintir o não, por sentir essa terrivél formigação.
Elas não compreendem, por que compreender torna tudo mais difícil.
Mas eu não as culpo.


- Ouvindo: (Matanza)

*

Pode ficar quieto em silêncio.
Eu não me importo.
Eu gosto dessa sua decisão, eu gosto dessa forma de me odiar.
Prefiro todo esse rancor, essa raiva, essa ausência.
Eu prefiro que você ainda sinta, sinta qualquer coisa.
Mesmo que seja uma ponta de um fim, eu prefiro assim.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                           

Ariela Venâncio. Tecnologia do Blogger.

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"Publicar um texto é um jeito educado de dizer “me empresta seu peito porque a dor não está cabendo só no meu.”

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