Uma Violência Surda.

Falava-me baixo com uma violência surda
Com medo do receio de me machucar, machucando-me apenas ao falar
- Eu me contenho em não ser amada por todos. - Ela me dizia quase sem voz de mãos fechadas.
Me parecia grosseiro esse amor, que machucava fundo uma ferida quase imortal, serena e constante
O silêncio crescia na sala como um balão que se enchesse quase sem fazer barulho sem poder ser interrompido
Mas sim fora isso que buscará um silêncio continuo entre ambas, entre ambos corações. Que eram caixas vazias e plácidas.
Um tom decorria subjacente, era o barulho do fósforo fazendo fogo para acender o cigarro culpado de dor da falta de amor, quebrando assim o silêncio, estourando de vez  o balão.
Ajoelhada junto de mim, ela me olhava seca e fraca, mastigando de tragada em tragada o sincero que era comprado na esquina, e de sincero não havia nada.
Antes de compreender o que ela queria eu me pus a falar sobre todo aquele remorso da dor de amar
Ela apenas me escutava com olhos vazios quase inertes e que ali não viviam, discordava apenas com o rosto que retorcia-se ao dizer não.
Desviava os olhos subitamente ferida no mais abria seu coração dizendo-me o que em mim nada fazia sentido
As gotas escorriam trémulas, eu enfim descobri que minha caixa era fria, friamente egoísta...
A voz suave roca e morta, quando realmente falava o que em mim habitava, quase nada. Vazio.
Ela compreendia, confirmava com os olhos baixos, agarrando-se a qualquer coisa, agarrando-me.

No intervalo o amor tornava-se a si mesmo, fugindo.
Ela corria com os olhos verdes claros que entre manchas de água se tornavam mar de agua salgada
Salgando a boca que no impulso beijei, Fechava os olhos e o coração batia além do meu corpo que me doía todo, sem mais nem menos eu descobri que toda essa dor era de certo alguma forma de amor.

- Ouvindo: Pata de Elefante.

Míope.


A relutância míope não tão cega, pouco vista.
Aparentemente organizada na fila do pão, entre eu, meus olhos e o mundo.
Entre linhas cegas e surdas, faladas e escritas.
Embasam a pouca nitidez que tenho da realidade
Que adormece embriagada retraindo sons, falsos altos.
Adormeço sem saber se ali estou, viva-morta, tédio cego. Reto, quase infinito.
Percebo que tão pouco morta-viva, apenas existindo.Resistindo.

Paradoxado, plural sem dois ou três, singular só, cega.
Míope em guerra, repassando imagens em tela branca.
No teto submerso da loucura tão nítida e minha, sua...
Mastigando a tira gosto com tédio, realidade quase perto do inferno
Resto, reto no teto submerso.

Loucura que se deita e acorda do meu lado
Despertando-me, cegando-me para a realidade.
Que sufoca e destrói meus sonhos de autonomia
Vida vazia, pouco altruísta e boçal. Banal!

Paro, repasso, paro, repasso, paro...
Automático percebo que existo, cansadamente egoistamente.

- Ouvindo: Pata de Elefante.

Inferno cómico de teto pro chão.


''Corria em direção ao chão, do teto no inferno
Machucava as mãos segurando a caixa chamada coração
Sem saída, sem caminho, pra lá, pra cá
Era um sonho, uma realidade, grande fatalidade
Eu não sentia minhas pernas, nem meu corpo no chão, jogado, molhado quase morto
A voz não saia, nada se movia apenas meus olhos cegos
Meus ouvidos surdos, barulhos mudos, gemidos sóbrios de sexo
Nada me tocava, nada se sentia, areia molhada, cansada e velha
Na boca gosto de suor, a pele rugia no teto ou no chão do inferno
Quente, Forte e de alguma forma cómico
Corpos na apologia do sexo, o céus eu estava no inferno.

Eu não tinha cabelo, nem roupa, nem vida, nem alma, nem tato, olfato
Rastejava no chão quente, talvez fosse frio meu corpo era um ponto vazio no espaço
Espaço que não cabia, tanta falta de vida jogada por lá
Não tínhamos rostos, nem cor apenas peitos, olhos e paladar
Tudo tinha gosto de suor
A terra era santuário de roupa com mãos dadas pro ar
O inferno era cómico, muito engraçado, vulgar.

Gritavam meu nome, a rainha damacascar
Éramos Reis, príncipes e servos, todos tristes e preços no inferno
A dor era parte do corpo, morto, vazio do sufoco
O passado passava em uma grande tela no chão da parede do teto
A carne pendurada nós pés que eram mãos que ficavam perto do coração
Não se saia mas sempre se entrava no inferno cómico e sem graça.

Era sonho, sonho dos ruins... Acordei de mão fechada
Rindo perdidamente, achando graça
Eu ainda tinha vida, melhor tinha alma
Acendi meu cigarro para comemorar a volta de uma viagem não programada
Que me corria nós olhos abismados e carregados, vazios, vagos
O inferno era cómico mas no final não era nada engraçado''.

- Ouvindo: Pata de Elefante.

Verso-Vise-Versa.


Quadrado, redondo perdi no tombo
Daquele amor que o doutor falou, me avisou era sincero, fora do sério
Eu acreditei só eu ninguém mais, você partiu me diluiu
Eu chorei amarga-mente, gritei quase saindo do corpo sem som, sem voz, sem nós
Do nó, do cego, sem verbo, doeu, doeu, doeu, de mais pra mim...

Mal organizado, fora do salto do tombo alto, muito alto
Perdi o chão, você partiu levou meu tom, meu violão
Agora cega sem coração, eu mereci a dor-desilusão
De um mundo todo, sem sábado nem hora pro almoço
Trabalho forçado de joelho machucado, você partiu sem regresso nem olhos pro teto
Vise-versa meia conversa, no banco me disse adeus. - Adeus meu bem! Adeus...
Era de menos, de mais, de tudo, hora atrás.

O verso do vise-verso ficou calado, sem meio papo, falta de abraço
Saudades suas, se te conheço ou se apenas vi, ali, lá, do outro, de cá
Correndo pra alcançar o ónibus, cheia de livros alguns conhecidos outros nem lembro o nome
Era de fato, de meio prato eu te comia com os olhos mortos
A tua beleza sem realeza, você sem nome-sobre-nome.Ana, Lunar, Amanda, Vanda, Luana
Me parecia que era minha apenas minha, me disse adeus sem ao menos se apresentar
Depois do tombo, errei o ónibus e te encontrei em outro lugar...
Destino traçado, azarado, cupido culpado
Depois sumiu, eu, ela, sem meio papo, cego e de joelho machucado
Perdão por não me apresentar.

- Ouvindo: Pata de Elefante.

Vista nua.


O engraço do medo dos outros é não encontrar em você o que eles não possuem, sonho bobo.
O amor não passa do reflexo dos olhos de um outro.
Eu realmente me canso tentando agradar, não manipular ou no máximo não rir e xingar
Uma meia população que tem a graça de me incomodar. Difícil ? Tenha apenas vícios.
Eu parei, cansei, até arrogante fiquei, pra meios termos tenho dois dedos
Incoerência no momento êxtase do meu calor, amar. Amar. Amar.
Merda eu não gosto de amar, depois do fim é dor.Dor. Dor. Dor.
Nem o doutor resolve, ou almoço de sincero sem elevador.

Autonomia regressiva se sentindo feliz em contado com o outro
No ónibus lotado, na fila do pão, na hora de pagar as contas
Não senhor, esse contado nem mesmo faz carão
Eu falo do contado de pele nua, nua com roupa pouca ou nenhuma
Vista nua, de dois de um outro
A primeira vista, na outra não exista
A forma mais fácil de amar, sem cobranças ou culpas.
Amor de um dia, também é amor.

Apaga o Cigarro Inconformismo ? II


Calava-se encobrindo algum ser ainda não inabitável em si mesma
Comparando sua caixa velha com um freezer mal ocupado
Sem espaço, mal organizado, meio vulgarizado
A caixa que agora estava em recomposição, estava ocupada, tumultuada
De promessas velhas, amores antigos, dores novas, velhas, novas eram as mesmas
Todo esse espaço agora ocupado tinha um por que a falta da frieza que morava ao lado
Lhe trazendo sempre uma lágrima e um adeus solitário.
Matutava os pés, o corpo de encontro a parede molhada e suja
Deixava a hora flutuar sem ao menos existir ali naquele lugar
De tudo que ela fazia, nada adiantava a caixa continuava vazia
Por mais que ela queria a caixa ainda a dominava
Não serviu de lição joga-lá contra o fogo
O fogo de nada adiantou, sem sentimentos bobos
Sem meias furadas, nada de calor no corpo ou amores loucos
Tudo passava rápido, nada tinha importância, nada tem importância
Ela não é mais criança, mesmo quando vai ver a avó no Goiás
Sabe que o tempo não volta atrás

A comparação continuava sempre se tratando sobre a caixa
Que cabia de tudo, mas de nada gostava.
A caixa apenas pulsava pra mostrar que ela a dominava
Pra dizer se não, pra dizer que sim sem nenhuma organização
Ela jogava a caixa de um lado pro outro.. para mão de desconhecidos
Ou de amigos bobos, a caixa até que gostava, gozava, mas pra caixa isso não a animava.
A caixa não era talvez tão freezer, essa comparação não a valorizava
Ela talvez amava ou era a caixa que a manipulava
A caixa servia como contra mão, apoiando-a dando proteção
De coração ela não tinha mais nada, agora ela servia como aliada
A caixa dentro dela, e ela fora da caixa
A caixa tinha seus pertences que na caixa eram guardados com maior cuidado
Os pertences só serviam se no reflexo a encontravam
Não tinha esforço ou outro meio gosto, não se gosta de ninguém que te devolva o oposto
Entre certo ou errado tão pouco importava de nada cabia na caixa
Filha de uma puta mal organizada
Nem oposto ou verdade, coisa mal falada
Tinha-se uma lista, de apoiar-se, amar-se, adorar-se, apaixonar-se, odiar-se
Nessa ordem de trás pra frente do espelho, melhor que ser Orfeu, melhor que dor de dente
Ela e a caixa eram sempre aliadas, mas a culpada da dor sempre era a caixa
A caixa servia como contra mão, apoiando-se dando proteção
De coração ela não tinha mais nada, agora ela servia como aliada
Já que a caixa não era a única que de nada gostava.

- Ouvindo: Moveis Coloniais de Acaju- Aluga-se-vende-moveis coloniais de acaju.

Ter sono cansa, viver cansa mais ainda.

''Tenho tanto sentimento, que finjo não sentir
Para disfarçar a dor de que tudo isso é ilusão
Mais reconheço que não me conheço pois despertei
Sem nexo ou principio para um nova noite de sono.

No mal estar em que me vejo
As vezes minto pra mim mesmo
Mais eu a mal dormida, não tenho noite nem dia
Nem sinto falta ou vida, apenas acho graça

Da pobre vida vazia...

Deixei as unhas crescer
Com a des(culpa) de que assim sofro menos
Indefinido e vão o dia chega
Sem permissão invade, os olhos mal abertos pela miragem

Me tratando como um vizinho enganador
Pegando as ultimas horas de sono que tenho
Pra depois que a noite voltar eu recomeça do fim
Sem sono, sem sono, sem sono, sem sonho.

Se existe, existe demoradamente
A vida não passa de uma estrada grande e tumultuada
Coberta por vícios, e noites de dia
Achando bom ver que eu ainda continuo vazia.

Me de mais bebida, pois a vida é nada.''

Fermento Podre e Vencido


É neste momento de fermento e graça
Que ignoro a existência, apalpando as mãos vazias no chão
Apagando o cigarro com os pés, atirando me na cama, cansada insônia.
Eu devia ter alguma proteção, um espaço vital entre o que existe e o que me faz mal
Você, sua mania chata de estar sempre certa, o idiotismo de tudo estar bem, pior pior
A conseqüência de nada acontecer
Devia ter uma barreira fechada de vidro tampando meu corpo e protegendo meu rosto
Contra todo esse pensamento bom e otimista, eufórico e correto. Uma farsa.

A existência me joga na cara que sou má, fria
Ela me diz coçando o saco que irei perder, morrer, pior viver
Autonomia filha de uma puta organizada, me erguendo toda manhã pra esperar o ônibus na calçada cansada
Levo na bolsa vazia e pesada à existência, largando de ponto em ponto um pouco da minha vida, longa, longa, longa e perto do fim.

Depois de horas de conversa, explicando o que ali fui fazer decide me aposentar
E deixar de viver, existindo só para mim, como sempre foi, como deve ser
Não me culpo por pensar em mim, de não gostar do calor, de elevador
Muito menos pela autocrítica que me penteia e me escova os dentes
Me arrumando, me erguendo, para mais uma existência cansativa e sem volta

E acabo conformando me que desperdiço o existir tão pouco usado por aqui
Sem trelas, arrependimentos ou meias furadas
Eu me prendo dentro e fora de mim, sufocando. Desespero infinito
E neste momento de fermento e graça que me despeço

Existindo,
Esqueça vou fumar um cigarro

- Ouvindo: Chico Buarque- Cotidiano.

Peitos, amor de namorados

Eu me acostumei, acabei, rejeitei
Eu deixei rolar, me perdi,nem mais quis
Era frio, lá fora, aqui dentro, dentro do corpo da alma do meu tormento
Eu deixei, errei, não acertei nem me importei
Minha autonomia foi falar um inglês, ler um livro e gostar de café as 6:00
Esqueceu da hora, te deixei no altar, no altar em frente ao bar
Foi divertido, eu gostei, me surpreendi mas acabou. Nem começou.
Matutei o horário, cansei o violão em plena madrugada nua com coberto na mão
Eu sabia que era errado, era pecado, mas o gosto era algo saudável
Eu me lembro do seu cheiro de menina livre e doce
Banal, essa coisa meio sentimental, ridículo e ordinário não amar nem meu quintal
Erro meu, seu, nosso. Culpa de opostos.
Não doe mais, nem sei se doeu, seu sentimento bobo não se juntou aos meus
Sou fraca, realmente sou por não aprender a amar nem gostar de elevador
Eu me acostumei, desacostumei a pegar a fila sem café das 6:00
Sem você, sem cigarros, sem peitos ou amor de namorados
Eu me acostumei, o pior é que nunca me importei.

- Ouvindo: Pata de elefante- Versão final.

Ariela Venâncio. Tecnologia do Blogger.

Agora, Aqui !

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"Publicar um texto é um jeito educado de dizer “me empresta seu peito porque a dor não está cabendo só no meu.”

(Tati Bernardi)



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