Seu coração em minha mãos.

Agora relembro.
Éramos felizes.
Eu fingia, você também.
Me fazia tão bem aquela enorme mentira.
Mas a única verdade era essa.
Nosso amor foi longo, bonito e mentiroso
Eu queria voltar, bagunçar seu cabelo
Te amar no fim do dia, no começo da estrada
Te xingar quando brigávamos
Lhe passar a mão nos olhos, para acreditar
Eram realmente de verdade
Te acolher no colo quando você chorava
Te segurando para não fugir, não me abandonar
Te encher de frases feitas
Quando eu lia algum livro, triste mas realmente bonito
Você me escutava com a cabeça em meus ombros
Você me amava com seu coração em minha mãos.
Mas eu ainda continuava mentido
Mentido para não machucar seu coração.

Passei a gostar do cheiro.

Fui lavar o corpo depois daquele domingo imundo e agitado
Levei meus pecados, minha dores, alguns amores
Vi tudo aquilo descer pelo ralo, me limpando o coração.
Sai dali limpa, renovada, passei a gostar do cheiro
Me vesti, sequei os cabelos, me deitei e acendi um cigarro
Ao som de The Distillers, me conheci, agora eu era a única

Não havia mais sombras de outros nomes
Rostos, cheiros, sobreposições
Me havia, eu começava a gosta de existir
Mesmo ali no meu quarto a onde tudo tinha a minha cara
A onde tudo era eu, meu.
A onde só eu existia.

Gostei tanto de existir que agora me omito
Agora irei voar, me acalmar, irei morrer
Depois de tanta existência, nada melhor do que sumir.

Peguei meus cigarros, pus um Jeans rasgado
Meu ténis velho, mofado
E fui por ai. Existindo !
Rastejando, rasgando, alimentando minha alma.

Agora me sento, relaxo e morro para o mundo
Existir me toma tempo, pecados, crimes, me toma
Agora irei me deitar, sem me lavar
Quero o cheiro dos lugares, das pessoas
Vou acender um cigarro, como se eu nunca tivesse me ausentado.


Permita-me.

Eu sabia o que era felicidade ela tinha gosto de café quente, dia frio,
Tinha cheiro de terra molhada, tinha rosto de vida, cor de água, era pura.
Mas depois dela eu não sabia o que viria, e se eu não gosta-se do depois
E se o depois fosse o fim ?
Permiti-me a felicidade, mas moderando-a para que o fim não chega-se
Me permiti ser triste, para que a felicidade em mim dura-se.





O meu.

Eu não poderia amar o mundo
Ainda não me conhecia, não sabia meus medos
Não havia cometido crimes, sido algo ou alguém
Eu não poderia me amar, por que de tanto eu nada ser eu era o mundo, o meu.



Te deixei ir, você foi lenta, leve, com meus cigarros na mão

Agora sinto sono, falta, medo da solidão.


Inquilino !

Passo por um conflito. O de amar.
Como posso amar ? Amar alguém ?
Preciso antes tirar as teias do teto.
Me decifrar, roubar-me de outro alguém
Depois preciso limpar o quarto, arrumar a cama
Para quem for me visitar. Preciso me permitir visitas;
Visitas em minha casa, em meu corpo
Mas em meu coração quero inquilinos
Para me avisar do feijão queimando no fogo
Brigar pelas calcinhas fora do lugar, pelos cigarros no sofá
Brigar para depois dizer que é tudo porque me ama
Preciso que alguém grite, explique
Preciso que alguém me obrigue a aceitar esse amor
Esse amor que é meu, mas não o vejo, não o sinto
Preciso que alguém lute por mim.
Preciso de alguém.
Quem ? Qualquer um que goste de doces.



Gosto das palavras, daquela noite, do seu cabelo curto

Gosto também das suas costas, dos seus ombros, dos seus olhos mudos
Gosto mais ainda da sua voz, do seu rosto, torto, daquele sorriso de escudos
Eu gosto de você, gosto de mim, gosto mais de mim do que de você
Eu gosto muito mais de mim.

Corri-mão.

Eu gosto de escadas. Aquelas compridas, com cor, com vida.
Gosto de percorre-lá, de ultrapassa-lá empurrando meus pés para subir cada
Degrau,Degrau,Degrau.
Escadas me lembram amor, aquelas duras, difícil de alcançar o final
Mesmo quando o fim é o terceiro degrau.
Alguém compreende meu amor por escadas ?
A forma fria e maciça que sinto ao subi-lá descalça, de meias finas
Falo de escadas de madeira.
Falo também que temos que subir degrau por degrau
Correndo ou devagar para não cair e se machucar no final
Com perigo de descer escada a baixo, empurrando tudo a sua frente
Falo também que pode se apoiar quando não se sentir seguro
Segure o corri-mão
 Estávamos falando de escadas ou de amor ?
Eu gosto de escadas. Sempre gostei.





Cócegas.



Amar é coçar a barriga pro dentro.

Goteira

As palavras elas me caem entre os dedos. Me somem.
Agora como de relance atrás do vidro, vejo cair a chuva, vejo o fim do sol. ele me vê.
Retorno pra casa, seca sem nenhuma gota. Me parece que foi sonho aquela magia de mar
Me deito, olho pra janela ainda sem acreditar, sem som. Me some o som.
Acordo com os punhos fechados, uma lágrima no travesseiro, era uma goteira.
Dentro e fora de mim.
Agora não me recordo se a chuva era eu ou mesmo o céu
Choveu em mim, mil lágrimas de mar, salgadas, secando por dentro algo
Mas tudo aquilo era sinal de loucura, porque em nada naquele choro me trazia tristeza
DOR! DOR! o que será mesmo você ? em qual lágrima fui sua ?

Agora me relembro da chuva de como fui feliz em apenas olha-lá
Em apenas deseja-lá, poder senti-lá de longe, ver sua estrada perturbando minha alma
A chuva não era eu, apenas fazia parte de mim, mas vivia fora com corpo e pele
Lindo como se nada mais me pudesse fazer respirar.
Mas é a pura verdade toda chuva precisa de um ar, todo ar precisa de uma chuva ?!
Creio, e enfim me lembro do motivo da lágrima, das gotas de mar, salgadas
Me lembro de te ver chuva, me lembro de te amar como nunca antes tenha amado.
Agora sei porque a tanto não consigo transformar esse amor em palavras. flori-lá!
Agora entendo o motivo. Agora sei, sei e não posso explicar

Tenho cabelos, sonhos, plantas e uma vida para regar.
Mas quero a chuva que clara tem só o nome.
Clara!


- Ouvindo: Los Hermanos.



Tarde de Mais

- Você pode me sentir ? tocar sem estragar a seda ?
Pode realmente entender porque chorei, porque ainda choro ?
Pode me segurar nos braços mesmo sendo menor do que eu ?
Me carregar mesmo estando cansada ? Me trazer ar ?
Pode tentar sufocar essa dor apenas me dando a mão,
Correndo quando eu te chamar ?
Pode compreender porque meu corpo se curvou
Minha fala era alta, triste e arrogante,até mesmo quando o assunto é amor ?
Você pode compreende meu pesar ? ( pesando algo frio e morno nas mãos)
(...)

Então ? Agora poderá me amar, mesmo quando nem eu ainda sei o que é isso ?



________________________________________________________________
Escrevi para a minha amiga Gabrielle jurando nunca postar aqui; tarde de mais.

Rascunho salvo em 04:50

Sonambula, míope, surda
Mas de alguma maneira estou satisfeita
Em não enxergar a dor, em não ouvi-lá, em apenas carrega-lá
Quando o amor se cansa de mim.

Rascunho salvo em 10:43

Eu queria te ter nos braços, te levar pra casa
Ouvir você dizer besteiras, me fazer rir.
Eu precisava do seu colo, dos seus seios, beijos
Da nossa despedida curta de um cómodo para outro
Do nosso amor, daquela bobagem de amar
Eu precisava realmente voltar a ser boba por você
Mas agora a minha arrogância me parece mas segura.

Eu preciso da sua vida

- Eu preciso de vida!

(...)
Não quero morrer
Não quero permanecer
Nem aqui ou ali 
Não quero sofrer
Nem amar
Ou reconhecer.
Não quero números
Nem som, nem vento. 
Meu nome não é Ar
Nem Are, nem Arie
Nem Ariela
Meu nome é sem lugar. 
Não preciso gostar 
Preciso apenas me acolher
Quando você me abandonar
Dizendo que precisa viver.

Meu amor...

Nosso amor, vazio
Sua pele na falta da minha
Minha vida errante, vulgar, sozinha.

Eu longe de você
Você sem me ter
Eu sem você
Querendo me reconhecer.


Subtenda.

Quero que alguém me compreenda
Me leia, sem me decifrar
Não consigo suportar esse peso de ser eu mesma
Me doí as costas, o coração, me doí as mãos
Não quero ter uma pele, nem rosto
Não gosto de cabelos, apenas de olhos, bocas
Não chego ao entendimento, do que sou, se sou, se fui
E me doí regressar as palavras, me doí, morrer e acordar
Você pode sentir meu entendimento
Pode toca-lo, trazei-me

Eu tenho essa dor constante, essa dor que não doí
Ela apenas bate no chão, e me prende
Com o impacto me joga, me desmonta com força
Sou fraca em não depender dos outros
Mas mesmo sem introdução eu preciso
Necessito de um desconhecido, apenas para me oferecer um cigarro
Me apoiar e ir dormir

Sou além da forma ultrapassada do meu corpo
E me conheço tanto, que me perco
Foge sobre meus olhos a minha vida
Que me doí, como uma xícara vazia
Não me percebo, caminhar, acordar
Apenas vivo quando adormeço
Durmo quando acordada estou
E me pesa a realidade
Não quero ser eu, não quero existir
Quando se existi se perde
Como agua vazando do balde
Se perde loucura
Não preciso acreditar ser normal
Preciso apenas me habitar
Me resgatar quando estiver cansada

Tenho sede de liberdade
Daquela que se senti apenas quando o vento te sufoca os cabelos
Preciso me sentir livre, me libertar de mim mesma
Ninguém realmente me prende, eu sou a minha única maldição
Tenho o domínio sobre meus pés e me frustra não coloca-los a onde a alma chama
Quero tocar-me por dentro, rasgar essa pele
Quebrar os ossos e me libertar me do mundo
Me tornar livre, da fome, da sede, do amor, da dor, da vida
Não quero ser descartada, mas quero reaproveitar-me quando necessário for
Necessito de escamas, sobre e fora de mim
Necessito de formas, de pouca existência e a quantidade errada de loucura
Não necessito mais me entender, apenas parar um pouco esse meu ser
Deixar subentendido a loucura de viver.

- Ouvindo: Incubus.

Procura-se sentimentos

Me falta um amor, como me falta alguma dor
Não gosto de sofrer, mas meus cabelos as vezes precisam de aguá
Quero misturar a falta, a desgraça
Quero dividir meus cigarros, quero alguém
Alguém sem graça, sem animação, com falta
Que goste da terra, de sexo, de frio

Sente aqui, me escute

Sussurre, depois me grite, até trazer dor aos meus ouvidos
Depois me conte versos, me xingue, me jogue na cama sem pretensão
Me traga falta, humildade, me derreta, me faça chorar
Me ponha nomes, aqueles que não sejam vazios
Me traga vinhos, me ame
Depois do fim, pode partir
Quando a mim voltar, quando aqui passar
Me traga algo que caiba na caixa

Que as vezes é conhecida como coração.


- Ouvindo: Los Hermanos.

Se sou.

Rabisquei a vida, estraguei o desenho que havia traçado
Cheio de cores, vidas, amores, dores, bonitas dores
Acabei mudando os traços, modificando a cor, a volta, a partida
Me perdi em  meio a tanta rasura, da minha vida da sua
Tentei apagar procurando um novo eu, um outro, um seu
Mas agora me esquece quem sou, e se sou, quem sou ?

Me desperdicei em cores, amores, me rasurei
Posso estar me afundando, mas nada me tira esse remorso.
Esse esboço que não sou eu.


Do outro de cá

Não gosto daqui, nem de lá, do outro de cá 

Não gosto desse calor, nem dessa falta de frio 
Desse terror , desse vazio, nem de mim as vezes 

Eu quero correr em outro lugar, sair da sala, do sofá 
Dividir meus cigarros com pessoas novas, ou aquelas velhas de lá 
Não dessas de cá 

(...)

Quero cabeças carecas, tatuagens diversas, poesia, boémia, vida
Pouca euforia 
Quero frio, que congele meus seios e alguém para aquecer meu coração 
Estufar o peito 
Quero praças, gosto de praças, largas, compridas, velhas  
Sólidas em parecer vazias 

Desejo caminhar-me, ultrapassar-me , mover-me para lugares terrestres de vida 
Embalsamar minha dor com algum tipo de alegria que deixei do outro lado de lá 
Entupir-me de vidas, me manipular provisoriamente dependo da cor do dia 
Me tornar bipolar as vezes, me cansar do descanso 
Sorrir, eu gosto de sorrir como também gosto de praças 

Quero que alguém me acompanhe, alguém com cabelos, com olhos, com alma 
Quero alguém sem voz, sem tom, alguém com coração, sem regressão 
Pessoas terrestres que acreditem em sonhos, pesadelos, medos
Eu preciso sair daqui, me mudar pra lá 
Descansar apenas para depois me cansar
Alguém quer me acompanhar ?


- Ouvindo: Incubus.

Constante falta de mim


Não me conheço mais
E se realmente sei quem sou não me aceito
Não percebo, a constante falta de mim
Hoje ontem na sexta, na quarta da quinta
E lamento por saber que sou;
Egocêntrica a ponto de encher o corpo
Em sintonia de êxtase, comigo mesma, apenas por mim
De não me amar, por acreditar ser pouco
E se te parece ser pouco, é pouco.

Eu nada sinto quando ouso alguém falar de amor
Quero senti-lo, toca-lo com as duas mãos
Sufoca-lo se preciso for, mas quero te-lo
Enrolado nos pés, me prendendo do mundo
Me tirando a voz, me deixando feliz e burra
Não me importo.

A falta de espaço, me deixa inconsciente
Encapas de me reconhecer, mesmo quando sei quem sou
Mesmo quando sei, que sou apenas isso
Que sou apenas algo que ainda não lhe sei dizer
Talvez saiba, mas não a sentido em falar
E as vezes por isso sinto que não a sentido em amar.

- Ouvindo: Janis Joplin.

Foi quando ele partiu...


-
Me lembro de quando eu ainda era pequena
Costumávamos ir sempre na casa de vovó, numa cidade pequena
Morávamos em cidade vizinha, tudo calmo e louco
Mas eu apenas acreditava ser assim para todos.

Me lembro de sempre lhe pedir bença, abraça-lo e receber balinhas
Era uma forma de carinho com as bisnetas, eu achava tudo aquilo um máximo
Aquela cidade, as pessoas, meus primos, meus tios, meus avós, meus bisavós
Na medida que cresce e nós mudamos para uma cidade maior
Com o tempo deixei de achar tudo aquilo a maior coisa do mundo
Mas na verdade era sim, a casa dos meus avós, a casa do meu bisavós
Aquela cidade, aquele povo que sempre falava que eu havia crescido, estava bonita
Minhas idas a casa de vovó se tornaram menores, nunca mais ganhei balinhas
Nunca mais vi meu bisavô subindo a rua em direção a um lugar desconhecido por mim
Cresci ! Me afirmei adulta, talvez nunca vá ser.

Agora nossos encontros de família eram a cada comemoração de ano
A cada aniversário, cheio de gente bêbada e alegre
Eu me acostumaria em reveles todos os anos, todos felizes
Uma enorme família, da qual agora me faz um enorme sentindo
Meu bisa foi o que gerou tudo isso, o começo
Seus 18 filhos, uma em especial é a minha avó
Que gerou minha mãe, que se casou com meu pai
Que no fim me teve, foi quando pra mim tudo realmente começou
Eu me sinto bem, em ter lembranças fortes dele apenas quando era criança
Não tenho lembranças nítidas da minha adolescência, quase tudo me voa rápido
Ele também mal se lembrava de mim, era engraçado. Estava com a memória fraca
Sempre o lembrava quem eu era, mas ele realmente nunca se lembrava
Mas tudo bem, ele ficava feliz com a casa cheia de pessoas em seu aniversário
Todos ficavam, brincavam, se animavam até por de mais.

Meu bisa era um homem conhecido por várias história
Vários rolos, várias vidas...
Ele viveu por longos anos, teve netos, bisnetos, tataranetos.
Um orgulho!
Mesmo quando partiu, me deixou as lembranças de pedir lhe doce
De espera lo subir a rua, para ir falar com ele e ganhar balinhas
E ouvir ele dizer que eu, minha irmã, minha prima, havíamos crescido
Mesmo que nós encontrássemos no outro dia...
Não me importaria de ouvir tudo de novo.

(...)

Hoje já bem cedo, mamãe abriu a porta de meu quarto me dando a noticia
Achei cedo de mais, para um homem jovem de alma, acho que sim.
Ele partiu, com seus 90 anos, deixando o jardim e suas flores
odoríferas um pouco sem brilho, sem cor...

-

Para meu bisavô Leonardo Batista.

Doce-Mente.

Parei, suspirei, ainda em movimento.

Você me olhava de longe, meu coração te sentia de perto
Morri ali mesmo, exausta, faminta por amor
Mas o que será o amor ? E depois dele o que vem ?
Nada?!
Caminhei com a dor, aliada, amargurada
Me perdi, morri, e nunca mais voltei, nunca mais senti
De certo não sei dizer o que depois me aconteceu
A morte não foi fácil, a dor era como se me arrancassem as mãos
Me impedindo de escrever, de te tocar, escrever
Agora o que habita em mim é o fim. Profundamente.
O fim do tempo
Do amor
Da noite
Do céu
Até mesmo da dor
Perdi-me achando que a morte do meu eu, era o começo de algo mas profundo.
Algo que não se explica nem mesmo quando sabe-se o que se diz e o que se ouve
Até agora tudo foi branco, vago e devagar. Tudo o que em mim habitava morreu
Asfixiando-me com minhas próprias mãos, depois morri doce-mente acreditando ser o fim.
É quando me descubro.

Devo esvaziar-me.



Tenho compulsiva raiva dentro de mim
Que me pingam de gota em gota, até que o balde se encha
Até que o balde transborde, mas nunca se esvazia.
Nem o café quente faz com que passe
Ou o cigarro seguido de um som bem enlouquece-dor
Faz com que pare a raiva.
Devo consumir outras vidas, esvaziar essa que me tem o nome de ar
Parar um pouco de entupir-me de metáforas, sons, sonhos
Desejo muito, desejo o tempo, o mundo
Desejo o que tiver de existir depois da felicidade
Mas desejo um pouco de vazio, um pouco mais de frio
Um pouco de calma
De levantar e ainda me sentir deitada.

- Ouvindo: The Distillers.

Lama


Eu segurei rasgando a dor com você nas costas
Não é pelo cansaço, pela dor nas costas que reclamo
Talvez eu tenha me jogado de mais, agora sinto estar comendo lama
Aquelas salpicadas de lágrimas e um de pouco dor
Quero doce, gosto de algum cheiro bom na boca
Seu beijo, mas agora ele não ira matar minha sede
De fome, de amor, de abrigo, de um pouco mais de sede...


- Ouvindo: Krokus - Bad Boys - Rag Dolls.

Surrada


- Tenho que consumir necessidades pra alma
Segurar nos dedos algum cigarro
Que tenha sido surrado durante a noite
Me embriagar apenas para escutar os outros
Realmente me sentir algo além de pele e osso
Preciso desgraçar a vida para me sentir vivida
Esculachar, fuder com a morte esquecer a sorte
Preciso me amar, me odiando
Não vejo mais graça de me odiar te amando.

- Ouvindo: Krokus - School's Out.

Uma outra carta.


Se passaram anos depois daquele fim de algum recomeço do qual tanto tentamos
Me lembro que naquela época estava pensando ainda em me mudar
Te levar junto comigo, para aquele sonho que definitivamente sairia do papel
Mas por alguma merda do tempo, nem você, nem eu, eu, você do papel saiamos
Até hoje não acredito que na minha estante resta uma foto sua
Séria realmente difícil me livrar de você, pra isso terei que queimar meus peitos e com eles junto queimarei o coração...
Não quero ficar sem peitos, mas a dor aqui é má as vezes
Quase sempre é perversa, arrogante até
Se existo ela de novo me lembra que nada serei sem você
Se nada nunca fui, sempre algo com você eu possa ser
Não que eu queira existir, por que toda essa cerimônia me cansa
Mas as vezes me faz bem uma lambada, uma dança.

Moro perto de uma grande praça, aqui é frio, arrogante e calmo
Não me situei com datas, nem horários
Já deve ter percebido a minha rotina de tantas cartas atrás
Parece que do papel o nosso amor não sai mais
Estranho pensar que quando receber essa carta, talvez irá chorar ou rir de mim, por mim
Apenas se sinta no direito de algo sentir.

(...)

Eu esperei você, eu realmente lhe esperei
Mas você não esteve lá, nem ao menos chorou, me responda, chorou ?
Percebo que é cega a rigidez que meus olhos tem
Pela hierarquia de felicidade que me propus a ter. Você. Te ter. Você.

Acho que gostaria dessa cidade, dos lugares, três jeitos, defeitos
Estaria em casa, abusaria dos meus cigarros e por baixo da minha saia
Sigo na rotina daquelas rimas, daquele amor, do resultado da dor
Sinto a sua presença, aqui, no porão, no elevador, no aquecedor
Desculpe, até me culpe mas essa carta eu te mando com minha dores
Sua falta, a minha falta, a minha vida, a minha estrada
Que é vista sempre em página virada.

-
________________________________________________________
Tenho que parar de mandar cartas para pessoas que não existem, elas se incomodam.

-

Chorei, chorei, chorei !

A constante perda que me destrói é a de vidas

Me recolhem ao anoitecer quando eu realmente sou eu
Acabei chorando, engolindo cada lágrima como a primeira de muitas outras
Isso me doeu o corpo, esmagando meu peito e tirando meu sorriso
Chorar em frente as pessoas me deixou surda a fraqueza
Mesmo que ela grite não vou escuta-lá, vou apenas fazer parte dela
A desobedecendo quando me disse para deixa-lá partir.
Agora que me tenho em meu lar, não quero sair daqui cedo
Me empoeirar de palavras chulas, de adivinhações de como será o resto do ano
Eu não queria, não quero conviver com uma vida que não é minha
Não quero chorar mais na frente das pessoas, não quero isso
Eu apenas quero existir, nem que seja no meu mundo.



'' O vôo da pedra ''


Quando coloquei meu pés no chão, não senti a dureza que havia pisado
Era triste e frio e com o tempo me acostumei a crava-los na dor
Complicava em mim, saber a onde pisar, saber pisar
Me doía levantar de manhã e ter que sufoca-los calçando-os
Doía como que se sobre eles restasse apenas carcaça para move-los. Eu !
Nunca me dei conta, de como era preciso tira-los do chão, arranca-los
Forçar algum vôo, forçar alguma vida. Era preciso existir sem te-los no chão
Com o tempo foi fácil acostumar me ao provável, a cotidiana dor de permanecer estável
Moço você sabe como é não poder voar ?
Imagine o vôo sinta o vento.
Feche os olhos e sinta o cheiro de liberdade que gruda na pele
Conseguiu sentir ? não ? tente de novo !
Agora você sabe o que eu quero sentir, não sabe ?
É improvável, mas conseguiu sentir o sabor da pele, tem gosto de sentimento bom
Aqui no chão não se tem gosto, aqui se tem apenas paredes, teto, chão...
Sobressai por fora da cabeça o que imaginei para mim, mas agora agora não existe
Moço acredita se eu te dizer que nunca realmente sei o que é existir ? Você sabe ?
Deve ser pedra dura o significado, tão triste
Por que é apenas real quando é jogada com força no chão
Ninguém realmente quer ser jogado no chão, as vezes só é preciso.
No final você ainda está no chão mas dessa vez esta com seu corpo todo
Sentir que é real, por que ele doí, e aguá salgada pinga de seus olhos
Por mais que as enxugue, elas se transformam em poças
Terei que me conformar em ser pedra dura ? mas moço pedra não voá !
Por mais forte que me jogo, acabo sempre no chão.
O chão não tem gosto, e o que mais doí é saber que ainda, algo me prende nele.


- Ouvindo: Incubus - Love hurts.

Para ser lido ouvindo Incubus - Drive.


Oi ! Eu vim aqui apenas para te dizer que decide ir embora
Eu esperava uma vida aqui, com cortinas, tetos, almofadas
Pensei muito antes de me mover do carro até sua porta
Para lhe dizer, que o grande que tínhamos era tão pequeno
Que nem sentir eu o sinto mais. Sei lá talvez nunca tenha existido.
Fiquei horas no carro, vendo as luzes da sala se apagando,
Vendo você andar de um canto para outro pela janela que tanto quis
No nosso quarto, talvez estivesse preocupada com a minha demora
Ou simplesmente estava aflita como esteve esses dias todos
Pois bem, agora aqui na sua frente se torna fraco e complicado me explicar
Se possível apenas ousa, é importante que me escute, pelo menos uma vez.
Eu consolidei meus sonhos com uma corda no pescoço, essa corda é você
Por mais que eu me apoiasse na cadeira, o amor
A corda queria me ter sobre seu domínio, mesmo que me custasse a vida
Antes que a cadeira ficasse fraca de mais para me aguentar a joguei para longe
Para tão longe que meu corpo foi junto com a força do impulso
Você no fim me matou, e o amor tenta se recuperar sem as pernas, sem o apoio.
Por mais que eu tente não vejo corrida nesse seu vago olhar. Triste !
Talvez seja culpa minha de tanta tristeza, mas eu jurava estar fazendo o certo
Se não, perdoei-me, mas foi o que pude dar, foi o maior que pude dar
Ainda não te reconheço, ainda não me lembro do seu rosto
Por que a moça pela qual me apaixonei gostava de cortinas
Tinha o olhar mais sincero que meus olhos viram, gostava
Mas o que vejo é o corpo dela aqui, esticado me odiando, quase morto
O pior é que admito não saber como reviver aquela moça, eu não sei
Tentei esticar os dias, para que você me olhasse, na desculpa de encontra-la de novo
Mas tenho que me conformar sou viúvo agora, não sei como chorar a sua morta e a minha.
Meus olhos não sabem como encontrar o seus
Mas se aquela moça que conheci ainda viver, me procure
pois podemos tornar grande o que hoje é pequeno
E sobre a minha morte não me importo de morrer de novo, de novo e de novo por você.

Poeira


Precisava respirar
Retrair o ar, a ar
Deslocar os pulsos
Sair de lá, para qualquer lugar
Sem ao menos me culpar
Achar...
Era engraçado a dança
Meus pés cansadas
Meus cigarros
Minhas vidas
As suas, que foram minhas
As minhas que foram suas
Sufocadas
Eu apenas queria respirar
Não te deixar.

- Ouvindo: The Distillers.

Sendo eu minha própria vizinha !


Eu poderia deixar de ser tão Ariela, Ar, Arie! Me substituir ?
Querendo as vezes me passar por um desconhecido
Tirando férias do meu corpo, deixando os outros se acostumarem com a minha falta
Eu poderia realmente deixar de ser Ariela Venâncio ? Posso ?
Apenas para me tornar o que espero que gostem, reagindo, resistindo.
E sendo eu, eu posso ser de verdade, mentindo, fingindo, fugindo mesmo regrando meus próprios pés.
Que se casam com o peso do meu corpo
Que trisca triste no chão com uma profunda incerteza de ter um coração
Posso parar de mastigar as dores amargas sendo eu mesma
Mas os pro-nomes me julgam quando eu tento colocar o a no lugar do o
Então não posso mudar, mesmo por que algo deve ser para sempre
Mas ando cansada de ser tão Ariela, encubada na sua caixa queimada e sempre vazia
Tentando fugir a qualquer custo de mim mesma, ou talvez seja da Ar, da Arie
Mas veja bem, não falo de nomes, pré-pro estabelecidos, falo de carne, vida, de uma existência.
Que machuca cortando os pulsos fracos, tentando odiar sua própria pele
Odiando sua vida, sem saber por que. Gostando da Ariela, da Ar, Arie
Mas moço é complicado conviver com elas, dentro e fora de mim
É desgastante ser gentil mesmo com a pessoa em frente ao espelho
Seguindo eu mesma, sendo eu mesma, sendo de mais pra mim
Por que ando parando com essas, esses, se assim posso dizer seres que são meus vizinhos
Donos, ladrões, vespas, sangue sugas, que sugam, sugam algo inabitável dentro de mim
Eu mesma !
Mas moço ando cansada de parar, carregando no chão minhas vidas
Que não voam, querendo deixar seu corpo jogado em algum lugar
A carcaça que não me pertence nem serve como apartamento, nem pra segundo andar
Eu poderia realmente deixar de ser A-lguém ?
Para simplesmente gostar de em mim algo habitar
Já que me cansa ser meu vizinho sem portas, nem muros para não me odiar.

- Ouvindo: Black Keys.

Meus sonhos me enganam !


As montanhas de nuvens se embaralhavam em meus pensamentos
Eu sabia realmente a onde queria chegar, mas meu corpo não se movia
Foi quando pensei estar em transe, mas não talvez fosse apenas um sonho, um leve pesado sonho.
Meu corpo inerte, louca louca eu realmente me sentia assim
Foi engraçado vomitar em cima e fora de mim, uma mistura grotesca de vida
Ao meu redor vultos esnobes, um calor desconfortante que me deixava mais imóvel ao resto
Me erguia com os olhos, os únicos vivos, míopes e embaçados que quase nítidos me movia
As vozes, os risos, pareciam longe do meu corpo mesmo sentido todos perto de mim
Quando realmente consegui me mover recebi nos lábios um beijo de uma desconhecida
Levantei-me peguei meus cigarros, minha mochila e fui embora
Tudo muito real, minha cabeça doía, meus olhos inchados, corpo molhado
Sai do prédio e ao pisar no chão frio e úmido percebi que estava descalça
Olhei na bolsa procurando alguma coisa encontrei um par de calçados. Sujos e molhados!
Decidi ir descalça, esperava encontrar algum táxi por lá, um ponto de ónibus, qualquer coisa.
As ruas eram compridas e desertas, bonitas da sua forma
Estava realmente cansada de andar, quando decidi voltar para o prédio
Não encontrava nada por lá, nem ratos, vozes, vultos, nem frio
Quando cheguei no prédio, a moça que havia me beijado me esperava na porta
Rindo como se soubesse que eu fosse voltar, para o prédio para ela
Ela não era bonita, tinha os olhos pretos, pele branca, cabelos negros e um semblante triste no olhar.
Peguei um cigarro, para digerir melhor aquela loucura em preto e branco
O prédio estava movimentado, tumultuado, com o cheiro de vomito e limão nas paredes
Eu queria saber a onde eu estava, mas só a moça ficava do meu lado sem nada falar
Sentei-me, bebi um pouco, vomitei de novo, era nojento e vulgar aquele lugar
Mas tudo que eu fizesse eu sempre voltava pra lá
Quando enfim acordei, não havia ninguém por lá, nem a moça que insistia em me beijar
Eu estava sozinha, e de uma forma ou de outra eu queria a moça para me acompanhar
Quase como um vulto, eu acordei.
Peguei um cigarro para aceitar a despedida da moça que agora a vejo em todo lugar...


- Ouvindo: Livin' Blues.

Uma carta pra dizer adeus !

Sabádo 16 de de maio.

A muito tempo eu me privei em te dizer que sua dor me manipulava
Machucando egocentricamente meus dois braços, minha mãos, meus pés
Me deixando imóvel a tudo que me deixava feliz, mesmo sem eu perceber.
Eu te amava, em mim fazia algum sentido essa palavra, pra mim era o que bastava
Dizer te amar, apenas por querer amar.
Eu assim me pus a sofrer, calada, inconscientemente.
Não adiantava passar horas te ouvindo, te sentindo, no fim você era apenas carne e pele,
Que ficava podre, suja e com a pouca sensibilidade que eu tinha, me enojava te amar.
Me privei apenas por acreditar que amar era sofrer, caminhando com a dor no bolso esquerdo.
Mas você sabe mais do que ninguém, que eu odeio tornar cotidiano em mim esses sentimentos Banais, e por mais que me frustrasse como individuo eu os deixei entrar
Sem nenhuma cerimônia, habitando a caixa e a ocupando
Sufocando as regalias que me propus a ter das quais amar ficava em ultimo lugar
Para de propósito não ter a dor como aliada, mas já agora ela é intima
Se de certo comanda minhas duas mãos que enfraquecem o pincel e torna fraco o que havia a lhe dizer.
Foge de controle as minhas palavras e quando a mim voltam, se tornam essa rasura de dor
Essa fraca carta de amor, ah! Seria sofrido lhe empurrar de um penhasco
Com cada palavra de odeio que tenho a lhe dizer,
Mas depois eu gostaria de te ver precisar de mim de novo, segurando minhas mãos para se ergue
Mas não quero rasuras nessa despedida, na verdade só quero um fim, como nunca acreditei querer antes.
Se cair alguma lágrima quando ler esta carta, as enxugue não admito mas que engane minhas Palavras com sentimentos baratos e de aluguel, não quero que minta achando ser sincero esse Amor, eu já cravei meus pés e machucara se tentar tira-los de novo, quase os cortou.
Não precisa retornar respostas. Nem desculpa, ou dores
A caixa anda vazia, queimada e sozinha
Mas me sinto livre e feliz de ter meus pés cravados
Já que a realidade agora venha a se tornar meu melhor aliado...

De: Arie.

- Ouvindo: Livin' Blues.

Consolide !


Rasgue a dor com os dentes
Finja a dor, relutando de repente
Tapei a verdade dizendo mentiras
Consolide sua armadilha sentindo vontade
Olhe, regresse, mas perto, engane de verdade

Não precisa permanecer, apenas volte para me ver

Sinta o gosto, repare o oposto
O igual é banal, chato, formal
Observe, confirme o engano
Aproveite o papo, relate o ato
Aprecie o desejo esqueça o erro

Fique mais um pouco, depois vá, depois volte

Não explique, apenas justifique
Estique, aumente, consolide, invente
Modifique, depois aproveite
A mentira, a história, a marmota
Comemore, beba, ame, desapareça
Depois de tudo meu amor permaneça.

- Ouvindo: Bob Dylan.

Sobe e Desce !


Engolindo a seco a roda do odeio
Que camufla minha pele e me torna míope ao mundo
Cansada, latente, arrogante e pouco vista
Dor de garganta sempre no final da dança
Mastigo meu odeio com rancor latente no coração
Constrangimento, míope, cega, como queira chamar
Tenho pressa que regressa no meu paladar a dor
Que batendo se mistura ao cansaço, visto - falado
Que se torna em mim uma montanha de elevador
Que sobe e desce sempre quando a música acaba
Sempre quando a dança para.

- Ouvindo: Los Hermanos.

Dois de uma Tragédia !

A cada madrugada abafada por cigarros e suor, ardor, suor, amor

Seu cabelo enroscando no meu pescoço, me fazendo cócegas
Era tudo muito engraçado eu apenas sorria, fingia não te amar
Eu apenas respirava a fumaça daquele amor
Que de pouco em pouco me viciou, me sufocou e por pouco não me matou
Sinto lhe dizer mas esse amor é uma droga
Droga pra dormir, droga pra não sentir, droga pra sentir, pra sofrer, droga pra não te esquecer.

Mas recebo um murro na cara de saudades
No movimento particular que havíamos criado
Agora alimentando o vicio eu te percebo
Eu te eu quero, eu te desejo

Agora acho graça de sentir tanto a sua falta
Alimento de vez em quando o vicio com a sua chegada.

Eu te amo...
O inicio de uma tragédia!


- Ouvindo: The Distillers.

Consumo Estabelecido !

Precisa-se de uma garantia de consumo pré estabelecida

Egocentrismo barato para os mal informados.

Agora preciso de uma cara madura para conseguir muito status
Nada me parece barato, nem a sola do meu sapato
Meu primeiro formigueiro em frente ao banco do estado
Parada, decidida, agora vivo sem garantia de trabalho
Bem informada, bem arrumada, de salto alto.

- Ouvindo: The Distillers.

Então é capaz de amar!


Eu poderia contar uma história
Falar sobre ela, sobre seus surtos
Mas não a nada mais latente em meus pensamentos
Do que quando ela me recitava poemas de bukowski
Eu permanecia em êxtase sentada em meio a caixas e espumas ouvindo ela falar.

Mexia os lábios fracos de palavras fortes, enojando-me com tanta beleza
Criticava a forma como eu movia me lentamente para não perder o som
Numa movimentação perdida e constante, mal saia do lugar
Saia apenas para pegar mais cigarros e para interrompe lá com um beijo
Foi quando numa noite bêbada ela me relatou sobre sua ida, sobre nossa despedida.

Eu a amava e ainda sinto essa merda enorme de amor
Amor de esterco que fede meu corpo inteiro
Ela me deixou feliz, ardente como sempre foi
Me relatou como seria seus dias sem mim, me disse adeus com gosto de cigarro na língua
Chorou, enxugou os olhos e voltou a sorrir, voltou a chorar e depois nunca mais a vi.

Sentei me até seu ônibus sumir, todos que ali estavam para se despedir haviam ido embora
A cada passo a cada cigarro eu sentia falta de alguma voz que com o tempo não me é firme
É constante esse vulto de seu rosto em meus sonhos, mas ela se foi

E não sei se o que sinto é falta ou apenas vazio por viver sem ela.

- Ouvindo: The Distillers.

Ana não desapareça

Ana não me deixe, volte !

Não desapareça
Não me esqueça

Não me substitua por mais, por dois, por algum
Não me consuma com a falta
Não desanime, me deixe sem graça

Ana não me castigue
Retorne, regresse
Estique o tempo o traga de volta

Ana, Ana, Ana seu nome me chama
Me ama, me ama, me ama
Me engana

Ana aprenda a gostar daqui
Aprenda a gostar de mim
Não mude, não fuja, não deixe, não enlouqueça

Sobreviva, sobreponha
Meu nome, seu nome, sonhe
Retorne

Na volta me compre cigarros
Me grite, me chame, me ame
Ana não desapareça, não aprenda a desgostar de mim.


- Ouvindo: Bob Dylan.

Embriaga-se


Corra, logo depressa
Finja, minta, esqueça

Final de semana
Me traga cigarros

Não veja, apareça
Enxergue, pinte e borde

Me trate, me ousa
Esqueça a tv

Grite, não mate
Volte, escape

Curta, aproveite
Regresse, me fale

Viaje, ultraje
Beba só mais um pouco

Corra, logo, depressa
Beba, embriaga-se, vomite

Esqueça!
já é segunda-feira.

- Ouvindo: The Distillers.

Sendo meu Próprio Hospede!


Não cutuco as palavras com essa mera simplicidade que me julga ter
As respostas bem organizadas sempre me vem na mesma postura arrogante de você
Em trilhos suicidas me deparo gritando o seu nome. - Volte, volte ou me deixe logo, rápido!
Atacando o mero passar da idéia suicida de você me jogar apenas por prazer
Esqueça, a dor é mera coincidência, nessa nuvem seca de cigarros...

Arrasto os moveis, mudando a sintonia velha da sala
Gostando e amaldiçoado os meus pesares, medos e afins
É contagioso a sua forma de me fazer pensar sempre
1,2,3,4 paro não quero seguir seus mandamentos
Deixando apenas no lugar minha livraria emparceirada
Que me consome com as mesma palavras, que eu releio ao me auto dizer tudo velho, novo
Tomo banho, tiro a grotesca idéia de me mudar daqui que some pelo ralo
Mas a pele anda enrugada de tanta sujeira na alma, de tanta cobrança sua sobre mim

De volta me encontro nos trilhos aguardando a dor voltar distraída com cigarros entre os dedos
Parceria antiga, comprada sempre na venda da esquina
Talvez eu não goste dessa esquina, dessa cidade, dessa contagiante rotina
Talvez, talvez, talvez eu apenas sinta saudades do frio
Mas você me vem de volta desprezando as minha opiniões
Restringindo o meu mundo. Mas vizinho você é intimo, de certo seja eu!

Então eu e você estamos interligados, presos
Porem eu preciso tirar a poeira do tapete, tirar as vidas de baixo dele
Sufoca-las de uma vez ou adentrar dentro delas. Sufocar-me, adentrar-me !
O que posso fazer é segui-lá, segui-lá consciência
Mas agora irei ficar nos trilhos brincando de ser meu próprio hospede...

Hospede na minha consciência!

- Ouvindo: The Distillers-Open sky.

Desafina!

Falta menina me deixe, me esqueça a onde estiver

Escorre do grito do choro seu olhar medroso de jeito mulher
Parece que em mim desafina esquece a patina e não sabe o que quer
Falta menina desgosto não sou perigoso nem sei machucar
Meu coração é de osso, de ferro sem gosto só sabe chorar
Se me deixar sentirei grandes saudades daquele luar
Mas de certo sem te eu não vivo, mas sinto remorso de me acompanhar
Falta não corra, me espere ainda não posso voltar
Voltar seria um castigo sem hora precisa nem outro lugar
Aquele remorso do gosto, me falta cigarros pra me acalmar
Não sei se o mal da minha dor é de te nada esperar
Falta não corra, esqueça tudo que não vai voltar.

Túnica de Inverno!

Me parecia uma vespa em cima em baixo pra dentro pra fora

Monopolizando os meus pesares sugando a minha pouca existência
Que latina se remexia numa dança sozinha, pobre alegria
Era só o começo, repense, repare, resolve, repasse, remexe a alegria cega num copo de vidro
Que era velha entre velhos esquecidos, que se tornava cega na miopia do esquecido
Lambuzando as palavras com um vinho barato engolindo de graça a falta de espaço
Era regresso a existência do não existir de salto alto e vestido rasgado
Para se tornar alguém aos que ali respiravam. Reorganizados na falta de espaço.

Hospede a solta, no quarto, no carro, na vida, na sala, no sofá, no passado
Que saudades do passado ! Que o frio vem de culpado
Envolvido numa túnica de plástico fraco, esperando que ninguém a sufoca-se
Derretendo-se rapidamente sem perceber sem reclamar, sem reclamar sem perceber
Vendo que o inquieto que lhe cobria fora do plástico era a arrogância do vidro
Que nunca admitia precisar de espaço. Que sempre reduzia a saudade em fracasso
Que desmerecia o amor em dor em lágrimas e que sempre acabava em um copo de ressaca
Curando talvez de inquieta a saudade, que me retornava sempre quando o inverno chegava.

- Ouvindo: Pata de Elefante.

Apaga o cigarro inconformismo ? lll

Abri os olhos realmente atordoada
A caixa agora agitada insistia em me deixar calada
Com o movimento de uma mosca parada, pobre da caixa
Enfeitava-se, se redobrava para mostrar aos outros por fora
O que por dentro nada cabia, nada tinha
A caixa parada agora servia como deposito de coisas velhas
Seguindo o ritmo correto de nostalgia
Agora nela só cabia o que fosse velho, e de bom trato
Era realmente engraçado ver a caixa encurralada dentro de um monte de passado.


A caixa como coração suava para tentar dar-me proteção
Jogando-me de um canto para o outro, sem parada pro almoço
Caminho sem gosto, rosto ou esboço
Parava realmente para se alto afirmar, dizendo o que pouco se servia por lá
Era preciso conservar a caixa que andava velha e muito maltratada
Queria segurar o vento, dentro e fora de si, para confortar o tal do lamento
Que rosnava, sempre que a dor por ali passava.
A montanha de velharia só trazia mais agonia, desmotivada pela autonomia
Era grande a nostalgia...


Quando se tratava da caixa, fria ficava a alma
A minha, num eu lírico de um contesto pouco real
Parecia anormal, falar do coração sem pensar numa caixa triste cheia de solidão
Então nada havia de ser coração, caixa era mais exato se afirmar
Que mal dizia nada cabia por lá.
A caixa como deposito de nostalgia, era míope ao presente que não vivia
Parada no movimento exato, entre curvas retas e monótonas
Era estranho imaginar, que a caixa decidia o que em mim poderia habitar
Se nada habitava a caixa feliz assim ficava.

Cismava em voltar ao passado, me tirando as rugas de experiência
Rugas novas e pouco vistas, agonia, agonia, agonia
Num relapso de nostalgia insana a caixa vivia
Deixando fluir o que a muito havia passado...
Envelhecendo se viu obrigada a jogar tudo fora
Agora nem mais me lembro o que tanto trouxe de volta
Só o tempo que nada dentro habitava
A caixa de certo nada gostava
Então nada havia de ser, dor era a unica coisa que cabia na caixa.

Foda-se

Passo largo, pequeno espaço feito no teto de vidro
Vozes secas, rogando no umbigo pragas penitenciadas
Fome de calma, odeio de tudo, fora e em cima do muro
Falar do teto que não quebrou por pouco, muito pouco
Gritou no meu ouvido sobre a dor, pouco me importa a dor.

Bons modos cegos, microfone meia tática para ser ouvida
Raiva, raiva, raiva, me mandaram calar, calei.
Gritei mais alto, depois do salto, de uma vida pra outra
No corpo de outra pessoa, chamada arrogância
De óculos escuros por fora do muro
Se tornou egoísta, egocentrismo

Meu nome é arrogância, cheia de ignorância
De baixo de um feto no peito que cresceu
Calmo, forte e insolente, calmo, forte e sonolento

Nunca fui boa em ser gentil.

Dor de Dente.

O grito é seco, ralo, fraco, chato
Barulho de panela roçando o fundo do chão
Arranhada de gritos em uma sala sem cama nem colchão

Sabedoria terminada em dor, falta de cigarros, esqueça o elevador
Descemos de escada, para emagrecer o tédio a raiva
Míope inútil mal posso esperar o vôo, pular do prédio ou do Cristo redentor
É o fim, o grito rouco sem som, perturba o meu portão chamando meu nome
Loucura sana, perfeita e concreta, parede, parede, cabeça na parede

Agonia de plateia mórbida, palmas seguidas e cabeças idiotas
Gritar, gritar, gritar, raiva, odeio, dor, esqueça vou procurar o doutor
Remédio pra loucura é o mesmo que pra dor de dente ?
Enrolar uma corda no pescoço, arrancar o dente e a vida
Corda flácida, mal sabe acabar com o tédio, me joga no inferno

O vicio falou mais alto, vento, vendo guardanapos
Para lágrimas, babas, continuações sem continuar
Nada para, nem a dor ou a agonia, roçar de panela no chão
Falta de cigarro, olfato, vida, maioritária vida

Vidro quebrado, dedo cortado, dente arrancado, grito calado
Me traga álcool e limão, para sarar o dente, o dedo e o meu coração...

- Ouvindo: The Distillers.

Mundo tão seu.

Atravessava a rua seca, sem destino presente
Olhos baixos sem qualquer movimentação, ali, aqui, sem direção
Talvez ela tivesse voltado para ficar, decidiu ir embora mas gostava de lá
Lembrava-se da avó que sempre doce a comprava pamonha na esquina
Arrastando os pés, fracos e cansados de uma longa vida.
Subiu as escadas do andar de cima do prédio velho e sujo
Entrou no apartamento, pegou suas coisas, poucas coisas
Jogou tudo numa mala velha com as cores de cuba
Olhou para os lados se despedindo do seu pequeno apartamento
Com cheiro de cigarro e roupa velha, era o seu lugar preferido
Sentou-se na cama deixando os olhos distraídos se elevarem a pensamentos
Ela havia vivido uma vida ali, duas, três, uma eternidade de sonhos
Se levantou e como desculpa, chorou até descer as escadas.
A dor era estranha, batendo no peito e sumindo, fugindo
Sua liberdade ficara naquele quarto e sala, naquele mundo tão seu
Acendeu um cigarro para soltar melhor as palavras quando decidiu ligar para os pais
Dizendo quase sem voz que ia voltar para casa, que ia deixar sua casa
Tão longe ela pensava, tão longe...
Quando enfim não via mais o prédio a onde morava pode chorar sem qualquer receio.
Agonia, agonia, agonia, agonia
Agora era apagar o cigarro e fingir ou apenas assumir  que na casa dos pais também era feliz...

- Ouvindo: Pata de elefante.

Uma Violência Surda.

Falava-me baixo com uma violência surda
Com medo do receio de me machucar, machucando-me apenas ao falar
- Eu me contenho em não ser amada por todos. - Ela me dizia quase sem voz de mãos fechadas.
Me parecia grosseiro esse amor, que machucava fundo uma ferida quase imortal, serena e constante
O silêncio crescia na sala como um balão que se enchesse quase sem fazer barulho sem poder ser interrompido
Mas sim fora isso que buscará um silêncio continuo entre ambas, entre ambos corações. Que eram caixas vazias e plácidas.
Um tom decorria subjacente, era o barulho do fósforo fazendo fogo para acender o cigarro culpado de dor da falta de amor, quebrando assim o silêncio, estourando de vez  o balão.
Ajoelhada junto de mim, ela me olhava seca e fraca, mastigando de tragada em tragada o sincero que era comprado na esquina, e de sincero não havia nada.
Antes de compreender o que ela queria eu me pus a falar sobre todo aquele remorso da dor de amar
Ela apenas me escutava com olhos vazios quase inertes e que ali não viviam, discordava apenas com o rosto que retorcia-se ao dizer não.
Desviava os olhos subitamente ferida no mais abria seu coração dizendo-me o que em mim nada fazia sentido
As gotas escorriam trémulas, eu enfim descobri que minha caixa era fria, friamente egoísta...
A voz suave roca e morta, quando realmente falava o que em mim habitava, quase nada. Vazio.
Ela compreendia, confirmava com os olhos baixos, agarrando-se a qualquer coisa, agarrando-me.

No intervalo o amor tornava-se a si mesmo, fugindo.
Ela corria com os olhos verdes claros que entre manchas de água se tornavam mar de agua salgada
Salgando a boca que no impulso beijei, Fechava os olhos e o coração batia além do meu corpo que me doía todo, sem mais nem menos eu descobri que toda essa dor era de certo alguma forma de amor.

- Ouvindo: Pata de Elefante.

Míope.


A relutância míope não tão cega, pouco vista.
Aparentemente organizada na fila do pão, entre eu, meus olhos e o mundo.
Entre linhas cegas e surdas, faladas e escritas.
Embasam a pouca nitidez que tenho da realidade
Que adormece embriagada retraindo sons, falsos altos.
Adormeço sem saber se ali estou, viva-morta, tédio cego. Reto, quase infinito.
Percebo que tão pouco morta-viva, apenas existindo.Resistindo.

Paradoxado, plural sem dois ou três, singular só, cega.
Míope em guerra, repassando imagens em tela branca.
No teto submerso da loucura tão nítida e minha, sua...
Mastigando a tira gosto com tédio, realidade quase perto do inferno
Resto, reto no teto submerso.

Loucura que se deita e acorda do meu lado
Despertando-me, cegando-me para a realidade.
Que sufoca e destrói meus sonhos de autonomia
Vida vazia, pouco altruísta e boçal. Banal!

Paro, repasso, paro, repasso, paro...
Automático percebo que existo, cansadamente egoistamente.

- Ouvindo: Pata de Elefante.

Inferno cómico de teto pro chão.


''Corria em direção ao chão, do teto no inferno
Machucava as mãos segurando a caixa chamada coração
Sem saída, sem caminho, pra lá, pra cá
Era um sonho, uma realidade, grande fatalidade
Eu não sentia minhas pernas, nem meu corpo no chão, jogado, molhado quase morto
A voz não saia, nada se movia apenas meus olhos cegos
Meus ouvidos surdos, barulhos mudos, gemidos sóbrios de sexo
Nada me tocava, nada se sentia, areia molhada, cansada e velha
Na boca gosto de suor, a pele rugia no teto ou no chão do inferno
Quente, Forte e de alguma forma cómico
Corpos na apologia do sexo, o céus eu estava no inferno.

Eu não tinha cabelo, nem roupa, nem vida, nem alma, nem tato, olfato
Rastejava no chão quente, talvez fosse frio meu corpo era um ponto vazio no espaço
Espaço que não cabia, tanta falta de vida jogada por lá
Não tínhamos rostos, nem cor apenas peitos, olhos e paladar
Tudo tinha gosto de suor
A terra era santuário de roupa com mãos dadas pro ar
O inferno era cómico, muito engraçado, vulgar.

Gritavam meu nome, a rainha damacascar
Éramos Reis, príncipes e servos, todos tristes e preços no inferno
A dor era parte do corpo, morto, vazio do sufoco
O passado passava em uma grande tela no chão da parede do teto
A carne pendurada nós pés que eram mãos que ficavam perto do coração
Não se saia mas sempre se entrava no inferno cómico e sem graça.

Era sonho, sonho dos ruins... Acordei de mão fechada
Rindo perdidamente, achando graça
Eu ainda tinha vida, melhor tinha alma
Acendi meu cigarro para comemorar a volta de uma viagem não programada
Que me corria nós olhos abismados e carregados, vazios, vagos
O inferno era cómico mas no final não era nada engraçado''.

- Ouvindo: Pata de Elefante.

Verso-Vise-Versa.


Quadrado, redondo perdi no tombo
Daquele amor que o doutor falou, me avisou era sincero, fora do sério
Eu acreditei só eu ninguém mais, você partiu me diluiu
Eu chorei amarga-mente, gritei quase saindo do corpo sem som, sem voz, sem nós
Do nó, do cego, sem verbo, doeu, doeu, doeu, de mais pra mim...

Mal organizado, fora do salto do tombo alto, muito alto
Perdi o chão, você partiu levou meu tom, meu violão
Agora cega sem coração, eu mereci a dor-desilusão
De um mundo todo, sem sábado nem hora pro almoço
Trabalho forçado de joelho machucado, você partiu sem regresso nem olhos pro teto
Vise-versa meia conversa, no banco me disse adeus. - Adeus meu bem! Adeus...
Era de menos, de mais, de tudo, hora atrás.

O verso do vise-verso ficou calado, sem meio papo, falta de abraço
Saudades suas, se te conheço ou se apenas vi, ali, lá, do outro, de cá
Correndo pra alcançar o ónibus, cheia de livros alguns conhecidos outros nem lembro o nome
Era de fato, de meio prato eu te comia com os olhos mortos
A tua beleza sem realeza, você sem nome-sobre-nome.Ana, Lunar, Amanda, Vanda, Luana
Me parecia que era minha apenas minha, me disse adeus sem ao menos se apresentar
Depois do tombo, errei o ónibus e te encontrei em outro lugar...
Destino traçado, azarado, cupido culpado
Depois sumiu, eu, ela, sem meio papo, cego e de joelho machucado
Perdão por não me apresentar.

- Ouvindo: Pata de Elefante.

Vista nua.


O engraço do medo dos outros é não encontrar em você o que eles não possuem, sonho bobo.
O amor não passa do reflexo dos olhos de um outro.
Eu realmente me canso tentando agradar, não manipular ou no máximo não rir e xingar
Uma meia população que tem a graça de me incomodar. Difícil ? Tenha apenas vícios.
Eu parei, cansei, até arrogante fiquei, pra meios termos tenho dois dedos
Incoerência no momento êxtase do meu calor, amar. Amar. Amar.
Merda eu não gosto de amar, depois do fim é dor.Dor. Dor. Dor.
Nem o doutor resolve, ou almoço de sincero sem elevador.

Autonomia regressiva se sentindo feliz em contado com o outro
No ónibus lotado, na fila do pão, na hora de pagar as contas
Não senhor, esse contado nem mesmo faz carão
Eu falo do contado de pele nua, nua com roupa pouca ou nenhuma
Vista nua, de dois de um outro
A primeira vista, na outra não exista
A forma mais fácil de amar, sem cobranças ou culpas.
Amor de um dia, também é amor.

Apaga o Cigarro Inconformismo ? II


Calava-se encobrindo algum ser ainda não inabitável em si mesma
Comparando sua caixa velha com um freezer mal ocupado
Sem espaço, mal organizado, meio vulgarizado
A caixa que agora estava em recomposição, estava ocupada, tumultuada
De promessas velhas, amores antigos, dores novas, velhas, novas eram as mesmas
Todo esse espaço agora ocupado tinha um por que a falta da frieza que morava ao lado
Lhe trazendo sempre uma lágrima e um adeus solitário.
Matutava os pés, o corpo de encontro a parede molhada e suja
Deixava a hora flutuar sem ao menos existir ali naquele lugar
De tudo que ela fazia, nada adiantava a caixa continuava vazia
Por mais que ela queria a caixa ainda a dominava
Não serviu de lição joga-lá contra o fogo
O fogo de nada adiantou, sem sentimentos bobos
Sem meias furadas, nada de calor no corpo ou amores loucos
Tudo passava rápido, nada tinha importância, nada tem importância
Ela não é mais criança, mesmo quando vai ver a avó no Goiás
Sabe que o tempo não volta atrás

A comparação continuava sempre se tratando sobre a caixa
Que cabia de tudo, mas de nada gostava.
A caixa apenas pulsava pra mostrar que ela a dominava
Pra dizer se não, pra dizer que sim sem nenhuma organização
Ela jogava a caixa de um lado pro outro.. para mão de desconhecidos
Ou de amigos bobos, a caixa até que gostava, gozava, mas pra caixa isso não a animava.
A caixa não era talvez tão freezer, essa comparação não a valorizava
Ela talvez amava ou era a caixa que a manipulava
A caixa servia como contra mão, apoiando-a dando proteção
De coração ela não tinha mais nada, agora ela servia como aliada
A caixa dentro dela, e ela fora da caixa
A caixa tinha seus pertences que na caixa eram guardados com maior cuidado
Os pertences só serviam se no reflexo a encontravam
Não tinha esforço ou outro meio gosto, não se gosta de ninguém que te devolva o oposto
Entre certo ou errado tão pouco importava de nada cabia na caixa
Filha de uma puta mal organizada
Nem oposto ou verdade, coisa mal falada
Tinha-se uma lista, de apoiar-se, amar-se, adorar-se, apaixonar-se, odiar-se
Nessa ordem de trás pra frente do espelho, melhor que ser Orfeu, melhor que dor de dente
Ela e a caixa eram sempre aliadas, mas a culpada da dor sempre era a caixa
A caixa servia como contra mão, apoiando-se dando proteção
De coração ela não tinha mais nada, agora ela servia como aliada
Já que a caixa não era a única que de nada gostava.

- Ouvindo: Moveis Coloniais de Acaju- Aluga-se-vende-moveis coloniais de acaju.

Ter sono cansa, viver cansa mais ainda.

''Tenho tanto sentimento, que finjo não sentir
Para disfarçar a dor de que tudo isso é ilusão
Mais reconheço que não me conheço pois despertei
Sem nexo ou principio para um nova noite de sono.

No mal estar em que me vejo
As vezes minto pra mim mesmo
Mais eu a mal dormida, não tenho noite nem dia
Nem sinto falta ou vida, apenas acho graça

Da pobre vida vazia...

Deixei as unhas crescer
Com a des(culpa) de que assim sofro menos
Indefinido e vão o dia chega
Sem permissão invade, os olhos mal abertos pela miragem

Me tratando como um vizinho enganador
Pegando as ultimas horas de sono que tenho
Pra depois que a noite voltar eu recomeça do fim
Sem sono, sem sono, sem sono, sem sonho.

Se existe, existe demoradamente
A vida não passa de uma estrada grande e tumultuada
Coberta por vícios, e noites de dia
Achando bom ver que eu ainda continuo vazia.

Me de mais bebida, pois a vida é nada.''

Fermento Podre e Vencido


É neste momento de fermento e graça
Que ignoro a existência, apalpando as mãos vazias no chão
Apagando o cigarro com os pés, atirando me na cama, cansada insônia.
Eu devia ter alguma proteção, um espaço vital entre o que existe e o que me faz mal
Você, sua mania chata de estar sempre certa, o idiotismo de tudo estar bem, pior pior
A conseqüência de nada acontecer
Devia ter uma barreira fechada de vidro tampando meu corpo e protegendo meu rosto
Contra todo esse pensamento bom e otimista, eufórico e correto. Uma farsa.

A existência me joga na cara que sou má, fria
Ela me diz coçando o saco que irei perder, morrer, pior viver
Autonomia filha de uma puta organizada, me erguendo toda manhã pra esperar o ônibus na calçada cansada
Levo na bolsa vazia e pesada à existência, largando de ponto em ponto um pouco da minha vida, longa, longa, longa e perto do fim.

Depois de horas de conversa, explicando o que ali fui fazer decide me aposentar
E deixar de viver, existindo só para mim, como sempre foi, como deve ser
Não me culpo por pensar em mim, de não gostar do calor, de elevador
Muito menos pela autocrítica que me penteia e me escova os dentes
Me arrumando, me erguendo, para mais uma existência cansativa e sem volta

E acabo conformando me que desperdiço o existir tão pouco usado por aqui
Sem trelas, arrependimentos ou meias furadas
Eu me prendo dentro e fora de mim, sufocando. Desespero infinito
E neste momento de fermento e graça que me despeço

Existindo,
Esqueça vou fumar um cigarro

- Ouvindo: Chico Buarque- Cotidiano.

Peitos, amor de namorados

Eu me acostumei, acabei, rejeitei
Eu deixei rolar, me perdi,nem mais quis
Era frio, lá fora, aqui dentro, dentro do corpo da alma do meu tormento
Eu deixei, errei, não acertei nem me importei
Minha autonomia foi falar um inglês, ler um livro e gostar de café as 6:00
Esqueceu da hora, te deixei no altar, no altar em frente ao bar
Foi divertido, eu gostei, me surpreendi mas acabou. Nem começou.
Matutei o horário, cansei o violão em plena madrugada nua com coberto na mão
Eu sabia que era errado, era pecado, mas o gosto era algo saudável
Eu me lembro do seu cheiro de menina livre e doce
Banal, essa coisa meio sentimental, ridículo e ordinário não amar nem meu quintal
Erro meu, seu, nosso. Culpa de opostos.
Não doe mais, nem sei se doeu, seu sentimento bobo não se juntou aos meus
Sou fraca, realmente sou por não aprender a amar nem gostar de elevador
Eu me acostumei, desacostumei a pegar a fila sem café das 6:00
Sem você, sem cigarros, sem peitos ou amor de namorados
Eu me acostumei, o pior é que nunca me importei.

- Ouvindo: Pata de elefante- Versão final.

O eu egóista, num movimento parado.


Sou egoísta por que desconheço outra forma de viver.
Custa me saber que ainda é cedo
Para arrumar minhas malas e levar comigo todo o poder
Da minha vida, o poder que a pouco foi me tirado
E não me importo com os dias dos outros
As horas que não foram, ou viram... E se acabaram
Misturando se numa sombra de sonhar
Um sonho que é só meu, num mundo só meu.Destruído.

Sinto me cômoda, ao vulto da minha voz
No reflexo do meu mundo destruído, talvez por mim mesmo
Já que todo esse egoísmo me força a pensar nos outros
Só para o meu bem, e não a nada que eu não faça
Para o meu bem...- E dou-me por satisfeito!

E carrego me pelos corredores da cidade
Isolado e sozinho, já que assim mesmo eu quis,
Eu poderia escolher qualquer mundo
Mas decidi viver no meu, frio e solitário
E me magoa pensar, que sofro sozinho.

E por fim tenho sono,
Porque na verdade não sou egoísta, mas triste.

- Ouvindo: Pata de elefante.

Cabeça de Orfeu

Abro os olhos e penso...
Será que há algo em comum nas vivências daqueles que se deparam com sua própria morte?
Mesmo agora com o corpo inerte tomados pelo fatídico acontecimento, em minha mente há muito movimento
Penso então por flashes
Será que percorremos toda nossa memória em apenas um minuto?
Como pode naquele minuto tudo fazer sentido?
Ainda na busca pela total compreensão dos fatos, há uma combinação quase que imperceptível entre imaginação e memória. Não sei bem se a palavra correta é combinação, talvez haja uma mistura entre esses dois funcionamentos da mente.
Mas o interessante é que dessa mistura surge o onírico, criando um nexo para as lacunas da razão.

Cynthia Domenico *

Evidente.


Andei matutando os pés
Nunca gostei de autonomia
Me sinto fraca gostando de andar sozinha
Mas a culpa é sua garota por nunca entender o que escrevo
Seria fácil agradar se você não comparasse minhas palavras com esterco
Passei em uma loja cara de moveis, achei bonita a cama
Lembrei de você dizendo que me ama
A cama era bonita, mas você não merece uma cama nova
Nem uma chance, nem uma volta
Compreendeu que a multidão dos meus pesares te ignoram
Aqui, ali, do lado de lá, do lado de cá
Agonia, agonia

- Ouvindo: Pata de elefante.

Continuação...

A mentira é mais sincera do que o silêncio...


- Ouvindo: Cazuza.

Pique-Esconde

A morte me parece uma brincadeira boba de pique-esconde.
Da qual nunca sinto jogar, se ao menos nela eu confiasse lhe daria a mão para me levar,
Mas a traição de me tirar a vida me parece imperdoável, e o perdão pra mim é para os mal informados por que no fundo somos todos fracos.

Se tento me esconder me sinto infeliz por parar de viver
Se vivo me sinto alegre por não querer morrer
O tempo vem e me joga na cara que a morte fica do lado de lá da calçada
Filho de uma puta ingrato, sempre o utilizo sem pedir nenhum compromisso
O deixando flertar sem avisos ou horários pra voltar

Ele me joga de um lado pro outro
Na insónia
No ponto de ónibus
Nos compromissos
No amor
A constante perseguição de passos, tons, sobre tons
Me vejo em plena madrugada contanto o tempo, a hora e a chegada
Que não chega que para na porta da frente de casa
Se o tempo me trazer a morte talvez seja a hora do tempo parar...

- Ouvindo: Cazuza- O tempo não para.

Morno, Quente, Frio, Morno, Morno.

Se decida antes que eu decida por você.
Compreenda que a sua multidão de pedidos de carinhos é pela falta de opinião
Sua altura ridícula em cima do muro, sempre em cima do muro
Sempre morna, calada com escudos...
Eu devia lhe dizer que o seu pessimismo pouco me importa
E se isso ocorre é por que me importa o que você deve dizer, mas não diz.
Sorriso largo, para qualquer um, para todos
A falta inoportuna de não incomodar nem que seja para se acomodar
Acomodando-se, hipócrita e fraca.


Você prefere se acolher no silencio
Se tornando mais um, mais um boneco de papel reciclado...

- Ouvindo: Moveis Coloniais de Acaju.

Sem Hora Nem Precisão

Sentado olhando pro tempo, esperava alguém com lamento
O relógio no braço esquerdo era sempre segurado como uma faca dentro do peito
Parecia realmente se importar com a sujeira que fazia por lá
Na carreira de cigarros se via a dor do homem que esperava a morte com flores e festa de chegada
Ele acendia mais um cigarro, ligava pra alguém falava do horário
Parecia insuportável o ponto que ele chegava de chorar baixinho sem lágrimas nem olhos baixos pra calçada
Se o tempo passava sentia um grande receio de saber que ali pra depois talvez não teria mas jeito, a solução era esperar com as flores na mão e o telefone a tocar
Sem hora nem precisão
As flores pareciam mais murchas na medida que o tempo passava
E com elas os olhos do homem agora caia na calçada
Que quente se mantinha em pé sem lágrimas nem meias palavras
Seu corpo suava, sua voz nem se escutava. Falava baixo como se algo parecesse ter algum pecado, Deixando assim o calor mostrar que o corpo se mantinha em pé pelo amor que sentia por quem esperava
O pé batia na calçada quente, as mãos casavam, os olhos já choravam
A dor persistia forte no homem grande e gordo, que tinha um rosto velho e um olhar meio morto
Ele se levantou, pegou as flores, jogou o cigarro no chão olhando para alguma direção
Nada ele via, enxugava os olhos sem ter nenhuma reação
As lágrimas agora caiam direto no calçadão
Já não era mais dia, o calor havia ido embora mas ali mesmo o homem persistia
Esperando pela chegada de alguém que não viria
O homem gordo ficou ali com as flores murchas na mão esperando por alguém
Sem saber se queria isso ou não.

- Ouvindo: Cazuza- Solidão que nada.

Apaga o cigarro inconformismo ?


Acende e espalha a fumaça, depois preenche o que falta numa caixa
Tão pouco vazia, tão pouco lhe faltava espaço
A caixa se enche sem caber mais nada, empurra empurra até que a caixa se rasga
Cola os contos, as partes de baixo tenta fazer com que nada espalhe, saia do espaço
Machuca o dedo com algo que se tem no fundo, se irrita, desgraça a vida.
O cigarro apaga com o vento, o acende de novo
A caixa se rasga, espalha o que tanto ela queria guardado
Joga tudo no chão e joga a caixa no fogo
Se senta, coloca na mesa tudo o que na caixa nada cabia
Sem que a caixa se rasgasse todinha, queria realmente espaço
A caixa na verdade pulsava queimando no fogo, queimava sem nenhum esforço
As paredes que impedia o vento estavam pretas por fora e por dentro
A caixa não servia pra nada, servia só pra machucar o corpo
Com tanto peso e tanto esforço
Nada nela cabia, de tudo ela queria colocar mas a caixa de nada queria
Tentava guardar o mundo na caixa até amores sem graça
Mas a caixa filha de uma puta exigente, se sentia no direito de mandar na vida
Ela aceitava, com o peso da dor que a caixa fazia
A caixa servia como coração, a caixa seria o coração
Queimava, esquecendo assim a dor que ela deixava
O espaço continuo, a caixa toda se queimou
A caixa agora queimada tinha as paredes, o fundo e o chão
Que parecia seguir a mesma proporção
Levantou-se pegando a caixa agora machucada querendo guardar o que nela não se guardava
Acendeu o que seria o ultimo cigarro. Inconformismo pela falta de espaço.
O fogo que queimou a caixa de nada adiantou, a caixa continuou fria e sem espaço pro amor
Ela nada mais queria sentir, então de vez de jogar a caixa de novo no fogo
Jogou o mundo e todo o sentimento bobo.
A caixa servia como coração, a caixa seria o coração
Sem espaço e quase sempre com solidão.

- Ouvindo: Pata de Elefante.

Play!

Ela se deitou no meu ombro e caia sobre mim gotas leves de dor
Eu não sabia o que falar, o que fazer apenas a abraçava e tentava lhe confortar
Ela chorava com o corpo o jogando de um lado pro outro, levantava os olhos de encontro aos meus, chorava me pedindo desculpas, perdão, blasfemava dizendo que o senhor, o senhor grandioso, o rei dos bons era o culpado, o senhor era o culpado por não ter me dado um coração, dizia até que o grande rei gostava de lhe ver chorar e tão pouco mexia os olhos pra lhe ajudar.
Eu não sabia o que falar, não sabia o que fazer apenas tentava lhe confortar com um beijo na testa.
Ela se remexia, me mordia deixando marcas de dentes, se contorcia se afastando de mim.

- O senhor, o rei, o puro, devia ao menos ter lhe dado um coração. Deixa por crer que de agora em diante não acredito no amor, nem nele o senhor grande fodão.

Se levantou se afastando de mim,seguindo em direção a cozinha,procurou na geladeira, no armário até no fogão, quando não encontrou o que procurava, deu um grito dizendo que ali não tinha merda nenhuma, nem um pouco de álcool pra curar a dor do coração, insatisfeita pegou um copo com aguá, voltou pra sala abandonando o copo ainda na cozinha sem beber.
Sentou-se do meu lado chorando, inconformada lhe pedi perdão sem saber se era isso o que eu queria dizer ou não.

- É só isso que tem a me falar ... ?

Eu não sabia o que fazer, o que dizer, acendi um cigarro e abaixei a cabeça.
Ela esperou uma resposta, um gesto meu, mas nada eu fiz.
Me abraçou e depois de tanto tempo ela ainda conseguia chorar , apaguei o cigarro pela metade e lhe fiz carinho, querendo falar mas nada falando. Olhou pra mim com um ar mais calmo nos olhos, se levantou e ligou o toca-fitas.
PLAY!
Era nirvana tocando, ela olhou pra mim sorrindo com os olhos, foi então que chorei, enxuguei os olhos para que ela não percebesse, e sim ela percebeu. Me deu um beijo leve, pegou suas coisas e saiu...
Eu nada fiz, não me move, apenas chorei escutando as músicas que ela havia deixado, chorei até adormecer.
Ela não voltou no dia seguinte, nem no outro, nem no próximo, nem ontem...

- Ouvindo: Moveis coloniais de acaju ( sim ando ouvindo muito moveis,rs.)

Plural


Eu, você, nós, agora me parece realmente sustentavél usar essas palavras.

- Ouvindo: Moveis coloniais de acaju.

Vazio mal ocupado

Eu tenho essa sensibilidade de tinta velha.
Eu sempre tive isso aqui incorporando minhas veias em vez de sangue, e sempre que percebo que minha ave velha e triste inventa de sair pela garganta esmagando minhas tripas e sufocando meu ar, eu me seguro até encontrar um lugar vazio e escuro para engolir com uma dose forte de álcool a ave infeliz que tenta de alguma forma sair, demonstrando um outro eu que tão pouco existe, e sim ele existe.
Mas não, ele não ira sair,não é a hora de me desmanchar em lágrimas com plateia e falsos aplausos, num momento tão egoísta e tão meu.Tão seu, meu.
Agora sinto a garganta ardendo, invento uma gripe com a desculpa da inflamação, que joga fora uma grotesca dor de solidão, sim isso acontece quando se sufoca tudo dentro de si,sem arrependimentos ou reclamação volto pro meu quarto bebo um pouco de remédio querendo que cure a dor que machuca o meu coração, acendo um cigarro e paro por alguns segundos de sentir.
Já que em mim essa dor quase não para... e se para nem repara.

- Ouvindo: Moveis coloniais de acaju.

Saudades dos desenhos educativos e com sons.

Tom e Jerry.

- Ouvindo: Moveis coloniais de acaju.

Depois de acordar...

- Tem tantas coisas da qual queria te falar, sério.
Pra mim seria realmente tentador apenas negar, mas não algo mudou.
Meu quarto foi remou durado, com papeis de parede e um pouco, só um pouco de mentira.
Mas se você realmente me pedisse eu colocaria na testa seu nome e com um recado... Estou de volta como nunca estive antes.
Bem agora é a hora de voltar a existir.

- Boa noite!

Publicar.

Existir... Pra quê ?
Se tudo que mais gosto não existe.
Minha vida, meu amor... eu, você.

-Ouvindo: Moveis coloniais de acaju.

Circulo vicioso

De cara nova, com a velha mentirosa.

Tum.

As vezes é bom fazer algo de errado só pra sentir o coração bater.
Em mim quase não batia.
TUM TUM TUM
Tum Tum Tum
Tum Tum Tum...

A algo mais...

- Frieza.

16 anos de muita rotina!

Nada mudou.
Ah! a unica coisa que mudou foi um numero a mais.
E de que me importa um numero a mais... Mas prometo que dessa fez paro de fumar !




Ressaca


Eu quero que tudo se exploda enquanto eu uso meu banheiro
Depois de uma ressaca por conta do álcool e da dor alegre
Quero que tudo se exploda, com ou sem vomito.

- Ouvindo: Janis Joplin.

Ariela Venâncio. Tecnologia do Blogger.

Agora, Aqui !

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"Publicar um texto é um jeito educado de dizer “me empresta seu peito porque a dor não está cabendo só no meu.”

(Tati Bernardi)



De encontro.

Os Viciosos do Circulo.

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