Apaga o cigarro inconformismo ? lll

Abri os olhos realmente atordoada
A caixa agora agitada insistia em me deixar calada
Com o movimento de uma mosca parada, pobre da caixa
Enfeitava-se, se redobrava para mostrar aos outros por fora
O que por dentro nada cabia, nada tinha
A caixa parada agora servia como deposito de coisas velhas
Seguindo o ritmo correto de nostalgia
Agora nela só cabia o que fosse velho, e de bom trato
Era realmente engraçado ver a caixa encurralada dentro de um monte de passado.


A caixa como coração suava para tentar dar-me proteção
Jogando-me de um canto para o outro, sem parada pro almoço
Caminho sem gosto, rosto ou esboço
Parava realmente para se alto afirmar, dizendo o que pouco se servia por lá
Era preciso conservar a caixa que andava velha e muito maltratada
Queria segurar o vento, dentro e fora de si, para confortar o tal do lamento
Que rosnava, sempre que a dor por ali passava.
A montanha de velharia só trazia mais agonia, desmotivada pela autonomia
Era grande a nostalgia...


Quando se tratava da caixa, fria ficava a alma
A minha, num eu lírico de um contesto pouco real
Parecia anormal, falar do coração sem pensar numa caixa triste cheia de solidão
Então nada havia de ser coração, caixa era mais exato se afirmar
Que mal dizia nada cabia por lá.
A caixa como deposito de nostalgia, era míope ao presente que não vivia
Parada no movimento exato, entre curvas retas e monótonas
Era estranho imaginar, que a caixa decidia o que em mim poderia habitar
Se nada habitava a caixa feliz assim ficava.

Cismava em voltar ao passado, me tirando as rugas de experiência
Rugas novas e pouco vistas, agonia, agonia, agonia
Num relapso de nostalgia insana a caixa vivia
Deixando fluir o que a muito havia passado...
Envelhecendo se viu obrigada a jogar tudo fora
Agora nem mais me lembro o que tanto trouxe de volta
Só o tempo que nada dentro habitava
A caixa de certo nada gostava
Então nada havia de ser, dor era a unica coisa que cabia na caixa.

Foda-se

Passo largo, pequeno espaço feito no teto de vidro
Vozes secas, rogando no umbigo pragas penitenciadas
Fome de calma, odeio de tudo, fora e em cima do muro
Falar do teto que não quebrou por pouco, muito pouco
Gritou no meu ouvido sobre a dor, pouco me importa a dor.

Bons modos cegos, microfone meia tática para ser ouvida
Raiva, raiva, raiva, me mandaram calar, calei.
Gritei mais alto, depois do salto, de uma vida pra outra
No corpo de outra pessoa, chamada arrogância
De óculos escuros por fora do muro
Se tornou egoísta, egocentrismo

Meu nome é arrogância, cheia de ignorância
De baixo de um feto no peito que cresceu
Calmo, forte e insolente, calmo, forte e sonolento

Nunca fui boa em ser gentil.

Dor de Dente.

O grito é seco, ralo, fraco, chato
Barulho de panela roçando o fundo do chão
Arranhada de gritos em uma sala sem cama nem colchão

Sabedoria terminada em dor, falta de cigarros, esqueça o elevador
Descemos de escada, para emagrecer o tédio a raiva
Míope inútil mal posso esperar o vôo, pular do prédio ou do Cristo redentor
É o fim, o grito rouco sem som, perturba o meu portão chamando meu nome
Loucura sana, perfeita e concreta, parede, parede, cabeça na parede

Agonia de plateia mórbida, palmas seguidas e cabeças idiotas
Gritar, gritar, gritar, raiva, odeio, dor, esqueça vou procurar o doutor
Remédio pra loucura é o mesmo que pra dor de dente ?
Enrolar uma corda no pescoço, arrancar o dente e a vida
Corda flácida, mal sabe acabar com o tédio, me joga no inferno

O vicio falou mais alto, vento, vendo guardanapos
Para lágrimas, babas, continuações sem continuar
Nada para, nem a dor ou a agonia, roçar de panela no chão
Falta de cigarro, olfato, vida, maioritária vida

Vidro quebrado, dedo cortado, dente arrancado, grito calado
Me traga álcool e limão, para sarar o dente, o dedo e o meu coração...

- Ouvindo: The Distillers.

Mundo tão seu.

Atravessava a rua seca, sem destino presente
Olhos baixos sem qualquer movimentação, ali, aqui, sem direção
Talvez ela tivesse voltado para ficar, decidiu ir embora mas gostava de lá
Lembrava-se da avó que sempre doce a comprava pamonha na esquina
Arrastando os pés, fracos e cansados de uma longa vida.
Subiu as escadas do andar de cima do prédio velho e sujo
Entrou no apartamento, pegou suas coisas, poucas coisas
Jogou tudo numa mala velha com as cores de cuba
Olhou para os lados se despedindo do seu pequeno apartamento
Com cheiro de cigarro e roupa velha, era o seu lugar preferido
Sentou-se na cama deixando os olhos distraídos se elevarem a pensamentos
Ela havia vivido uma vida ali, duas, três, uma eternidade de sonhos
Se levantou e como desculpa, chorou até descer as escadas.
A dor era estranha, batendo no peito e sumindo, fugindo
Sua liberdade ficara naquele quarto e sala, naquele mundo tão seu
Acendeu um cigarro para soltar melhor as palavras quando decidiu ligar para os pais
Dizendo quase sem voz que ia voltar para casa, que ia deixar sua casa
Tão longe ela pensava, tão longe...
Quando enfim não via mais o prédio a onde morava pode chorar sem qualquer receio.
Agonia, agonia, agonia, agonia
Agora era apagar o cigarro e fingir ou apenas assumir  que na casa dos pais também era feliz...

- Ouvindo: Pata de elefante.

Ariela Venâncio. Tecnologia do Blogger.

Agora, Aqui !

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"Publicar um texto é um jeito educado de dizer “me empresta seu peito porque a dor não está cabendo só no meu.”

(Tati Bernardi)



De encontro.

Os Viciosos do Circulo.

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