O eu egóista, num movimento parado.


Sou egoísta por que desconheço outra forma de viver.
Custa me saber que ainda é cedo
Para arrumar minhas malas e levar comigo todo o poder
Da minha vida, o poder que a pouco foi me tirado
E não me importo com os dias dos outros
As horas que não foram, ou viram... E se acabaram
Misturando se numa sombra de sonhar
Um sonho que é só meu, num mundo só meu.Destruído.

Sinto me cômoda, ao vulto da minha voz
No reflexo do meu mundo destruído, talvez por mim mesmo
Já que todo esse egoísmo me força a pensar nos outros
Só para o meu bem, e não a nada que eu não faça
Para o meu bem...- E dou-me por satisfeito!

E carrego me pelos corredores da cidade
Isolado e sozinho, já que assim mesmo eu quis,
Eu poderia escolher qualquer mundo
Mas decidi viver no meu, frio e solitário
E me magoa pensar, que sofro sozinho.

E por fim tenho sono,
Porque na verdade não sou egoísta, mas triste.

- Ouvindo: Pata de elefante.

Cabeça de Orfeu

Abro os olhos e penso...
Será que há algo em comum nas vivências daqueles que se deparam com sua própria morte?
Mesmo agora com o corpo inerte tomados pelo fatídico acontecimento, em minha mente há muito movimento
Penso então por flashes
Será que percorremos toda nossa memória em apenas um minuto?
Como pode naquele minuto tudo fazer sentido?
Ainda na busca pela total compreensão dos fatos, há uma combinação quase que imperceptível entre imaginação e memória. Não sei bem se a palavra correta é combinação, talvez haja uma mistura entre esses dois funcionamentos da mente.
Mas o interessante é que dessa mistura surge o onírico, criando um nexo para as lacunas da razão.

Cynthia Domenico *

Evidente.


Andei matutando os pés
Nunca gostei de autonomia
Me sinto fraca gostando de andar sozinha
Mas a culpa é sua garota por nunca entender o que escrevo
Seria fácil agradar se você não comparasse minhas palavras com esterco
Passei em uma loja cara de moveis, achei bonita a cama
Lembrei de você dizendo que me ama
A cama era bonita, mas você não merece uma cama nova
Nem uma chance, nem uma volta
Compreendeu que a multidão dos meus pesares te ignoram
Aqui, ali, do lado de lá, do lado de cá
Agonia, agonia

- Ouvindo: Pata de elefante.

Continuação...

A mentira é mais sincera do que o silêncio...


- Ouvindo: Cazuza.

Pique-Esconde

A morte me parece uma brincadeira boba de pique-esconde.
Da qual nunca sinto jogar, se ao menos nela eu confiasse lhe daria a mão para me levar,
Mas a traição de me tirar a vida me parece imperdoável, e o perdão pra mim é para os mal informados por que no fundo somos todos fracos.

Se tento me esconder me sinto infeliz por parar de viver
Se vivo me sinto alegre por não querer morrer
O tempo vem e me joga na cara que a morte fica do lado de lá da calçada
Filho de uma puta ingrato, sempre o utilizo sem pedir nenhum compromisso
O deixando flertar sem avisos ou horários pra voltar

Ele me joga de um lado pro outro
Na insónia
No ponto de ónibus
Nos compromissos
No amor
A constante perseguição de passos, tons, sobre tons
Me vejo em plena madrugada contanto o tempo, a hora e a chegada
Que não chega que para na porta da frente de casa
Se o tempo me trazer a morte talvez seja a hora do tempo parar...

- Ouvindo: Cazuza- O tempo não para.

Morno, Quente, Frio, Morno, Morno.

Se decida antes que eu decida por você.
Compreenda que a sua multidão de pedidos de carinhos é pela falta de opinião
Sua altura ridícula em cima do muro, sempre em cima do muro
Sempre morna, calada com escudos...
Eu devia lhe dizer que o seu pessimismo pouco me importa
E se isso ocorre é por que me importa o que você deve dizer, mas não diz.
Sorriso largo, para qualquer um, para todos
A falta inoportuna de não incomodar nem que seja para se acomodar
Acomodando-se, hipócrita e fraca.


Você prefere se acolher no silencio
Se tornando mais um, mais um boneco de papel reciclado...

- Ouvindo: Moveis Coloniais de Acaju.

Sem Hora Nem Precisão

Sentado olhando pro tempo, esperava alguém com lamento
O relógio no braço esquerdo era sempre segurado como uma faca dentro do peito
Parecia realmente se importar com a sujeira que fazia por lá
Na carreira de cigarros se via a dor do homem que esperava a morte com flores e festa de chegada
Ele acendia mais um cigarro, ligava pra alguém falava do horário
Parecia insuportável o ponto que ele chegava de chorar baixinho sem lágrimas nem olhos baixos pra calçada
Se o tempo passava sentia um grande receio de saber que ali pra depois talvez não teria mas jeito, a solução era esperar com as flores na mão e o telefone a tocar
Sem hora nem precisão
As flores pareciam mais murchas na medida que o tempo passava
E com elas os olhos do homem agora caia na calçada
Que quente se mantinha em pé sem lágrimas nem meias palavras
Seu corpo suava, sua voz nem se escutava. Falava baixo como se algo parecesse ter algum pecado, Deixando assim o calor mostrar que o corpo se mantinha em pé pelo amor que sentia por quem esperava
O pé batia na calçada quente, as mãos casavam, os olhos já choravam
A dor persistia forte no homem grande e gordo, que tinha um rosto velho e um olhar meio morto
Ele se levantou, pegou as flores, jogou o cigarro no chão olhando para alguma direção
Nada ele via, enxugava os olhos sem ter nenhuma reação
As lágrimas agora caiam direto no calçadão
Já não era mais dia, o calor havia ido embora mas ali mesmo o homem persistia
Esperando pela chegada de alguém que não viria
O homem gordo ficou ali com as flores murchas na mão esperando por alguém
Sem saber se queria isso ou não.

- Ouvindo: Cazuza- Solidão que nada.

Apaga o cigarro inconformismo ?


Acende e espalha a fumaça, depois preenche o que falta numa caixa
Tão pouco vazia, tão pouco lhe faltava espaço
A caixa se enche sem caber mais nada, empurra empurra até que a caixa se rasga
Cola os contos, as partes de baixo tenta fazer com que nada espalhe, saia do espaço
Machuca o dedo com algo que se tem no fundo, se irrita, desgraça a vida.
O cigarro apaga com o vento, o acende de novo
A caixa se rasga, espalha o que tanto ela queria guardado
Joga tudo no chão e joga a caixa no fogo
Se senta, coloca na mesa tudo o que na caixa nada cabia
Sem que a caixa se rasgasse todinha, queria realmente espaço
A caixa na verdade pulsava queimando no fogo, queimava sem nenhum esforço
As paredes que impedia o vento estavam pretas por fora e por dentro
A caixa não servia pra nada, servia só pra machucar o corpo
Com tanto peso e tanto esforço
Nada nela cabia, de tudo ela queria colocar mas a caixa de nada queria
Tentava guardar o mundo na caixa até amores sem graça
Mas a caixa filha de uma puta exigente, se sentia no direito de mandar na vida
Ela aceitava, com o peso da dor que a caixa fazia
A caixa servia como coração, a caixa seria o coração
Queimava, esquecendo assim a dor que ela deixava
O espaço continuo, a caixa toda se queimou
A caixa agora queimada tinha as paredes, o fundo e o chão
Que parecia seguir a mesma proporção
Levantou-se pegando a caixa agora machucada querendo guardar o que nela não se guardava
Acendeu o que seria o ultimo cigarro. Inconformismo pela falta de espaço.
O fogo que queimou a caixa de nada adiantou, a caixa continuou fria e sem espaço pro amor
Ela nada mais queria sentir, então de vez de jogar a caixa de novo no fogo
Jogou o mundo e todo o sentimento bobo.
A caixa servia como coração, a caixa seria o coração
Sem espaço e quase sempre com solidão.

- Ouvindo: Pata de Elefante.

Play!

Ela se deitou no meu ombro e caia sobre mim gotas leves de dor
Eu não sabia o que falar, o que fazer apenas a abraçava e tentava lhe confortar
Ela chorava com o corpo o jogando de um lado pro outro, levantava os olhos de encontro aos meus, chorava me pedindo desculpas, perdão, blasfemava dizendo que o senhor, o senhor grandioso, o rei dos bons era o culpado, o senhor era o culpado por não ter me dado um coração, dizia até que o grande rei gostava de lhe ver chorar e tão pouco mexia os olhos pra lhe ajudar.
Eu não sabia o que falar, não sabia o que fazer apenas tentava lhe confortar com um beijo na testa.
Ela se remexia, me mordia deixando marcas de dentes, se contorcia se afastando de mim.

- O senhor, o rei, o puro, devia ao menos ter lhe dado um coração. Deixa por crer que de agora em diante não acredito no amor, nem nele o senhor grande fodão.

Se levantou se afastando de mim,seguindo em direção a cozinha,procurou na geladeira, no armário até no fogão, quando não encontrou o que procurava, deu um grito dizendo que ali não tinha merda nenhuma, nem um pouco de álcool pra curar a dor do coração, insatisfeita pegou um copo com aguá, voltou pra sala abandonando o copo ainda na cozinha sem beber.
Sentou-se do meu lado chorando, inconformada lhe pedi perdão sem saber se era isso o que eu queria dizer ou não.

- É só isso que tem a me falar ... ?

Eu não sabia o que fazer, o que dizer, acendi um cigarro e abaixei a cabeça.
Ela esperou uma resposta, um gesto meu, mas nada eu fiz.
Me abraçou e depois de tanto tempo ela ainda conseguia chorar , apaguei o cigarro pela metade e lhe fiz carinho, querendo falar mas nada falando. Olhou pra mim com um ar mais calmo nos olhos, se levantou e ligou o toca-fitas.
PLAY!
Era nirvana tocando, ela olhou pra mim sorrindo com os olhos, foi então que chorei, enxuguei os olhos para que ela não percebesse, e sim ela percebeu. Me deu um beijo leve, pegou suas coisas e saiu...
Eu nada fiz, não me move, apenas chorei escutando as músicas que ela havia deixado, chorei até adormecer.
Ela não voltou no dia seguinte, nem no outro, nem no próximo, nem ontem...

- Ouvindo: Moveis coloniais de acaju ( sim ando ouvindo muito moveis,rs.)

Plural


Eu, você, nós, agora me parece realmente sustentavél usar essas palavras.

- Ouvindo: Moveis coloniais de acaju.

Vazio mal ocupado

Eu tenho essa sensibilidade de tinta velha.
Eu sempre tive isso aqui incorporando minhas veias em vez de sangue, e sempre que percebo que minha ave velha e triste inventa de sair pela garganta esmagando minhas tripas e sufocando meu ar, eu me seguro até encontrar um lugar vazio e escuro para engolir com uma dose forte de álcool a ave infeliz que tenta de alguma forma sair, demonstrando um outro eu que tão pouco existe, e sim ele existe.
Mas não, ele não ira sair,não é a hora de me desmanchar em lágrimas com plateia e falsos aplausos, num momento tão egoísta e tão meu.Tão seu, meu.
Agora sinto a garganta ardendo, invento uma gripe com a desculpa da inflamação, que joga fora uma grotesca dor de solidão, sim isso acontece quando se sufoca tudo dentro de si,sem arrependimentos ou reclamação volto pro meu quarto bebo um pouco de remédio querendo que cure a dor que machuca o meu coração, acendo um cigarro e paro por alguns segundos de sentir.
Já que em mim essa dor quase não para... e se para nem repara.

- Ouvindo: Moveis coloniais de acaju.

Saudades dos desenhos educativos e com sons.

Tom e Jerry.

- Ouvindo: Moveis coloniais de acaju.

Depois de acordar...

- Tem tantas coisas da qual queria te falar, sério.
Pra mim seria realmente tentador apenas negar, mas não algo mudou.
Meu quarto foi remou durado, com papeis de parede e um pouco, só um pouco de mentira.
Mas se você realmente me pedisse eu colocaria na testa seu nome e com um recado... Estou de volta como nunca estive antes.
Bem agora é a hora de voltar a existir.

- Boa noite!

Publicar.

Existir... Pra quê ?
Se tudo que mais gosto não existe.
Minha vida, meu amor... eu, você.

-Ouvindo: Moveis coloniais de acaju.

Circulo vicioso

De cara nova, com a velha mentirosa.

Ariela Venâncio. Tecnologia do Blogger.

Agora, Aqui !

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"Publicar um texto é um jeito educado de dizer “me empresta seu peito porque a dor não está cabendo só no meu.”

(Tati Bernardi)



De encontro.

Os Viciosos do Circulo.

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